Como o orçamento do Estado feito no fim do ano passado não podia prever a crise económica provocada pelo Covid-19, os nossos políticos estão agora empenhados, na Assembleia da República, em apresentar um orçamento retificativo que responda a esta crise. Os partidos da direita defendem os apoios às empresas com o argumento de que são elas que gerem emprego e criação de riqueza; os partidos de esquerda defendem o apoio aos trabalhadores que não podem ver reduzidos salários e é com o dinheiro deles que animam a economia. No fundo é a proclamação de luta de classes ao serviço da economia.
Já era tempo de terem aprendido alguma coisa com a economia global de que tanto se fala hoje. Se de facto a força do trabalho é a única forma de criar riqueza nova, essa força precisa de uma organização cada vez mais global por parte das empresas, e de ferramentas tecnológicas cada vez mais sofisticadas que só as empresas podem fornecer. Por isso trabalhadores e empregadores não podem ser olhados como adversários em luta, mas como parceiros em ação conjunta. Terá de haver reguladores que definam as regras desta ação conjunta e fiscalizem o seu cumprimento e esse papel pode caber muito bem aos órgãos de soberania e aos tribunais.
Espera-se que da União Europeia possam vir muitos milhões para animar esta economia; a ver vamos em que condições… Dá-me a impressão de que a grande preocupação dos políticos é a divisão deste bolo. Esta pode ser a tal “economia que mata” por deixar sempre para três os que não têm “padrinhos” que os defendam no Parlamento, ou então por abrir portas sobretudo aos “chicos-espertos” que querem a maioria do bolo para si, de forma fraudulenta. Foi isto que vimos na crise de 2009. Esperamos que não se repita.
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