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Ideias e Factos: Os corruptos

Agostinho Dias - 29/06/2017 - 9:38


Quase todas as semanas somos confrontados com detenções de políticos às vezes ligados ao futebol, ou gente da alta finança, para averiguações de corrupção. O fato já se tornou de tal modo corriqueiro, que muitos já nem dão por isso. A par disto, não faltam as nomeações de amigos e familiares, mais ou menos badaladas, para cargos bem remunerados por parte de quem está nos governos. Apenas se exige o cartão de militante do nomeado, e ser da família ou da amizade de quem o nomeia. Também isto cheira a corrupção, ou compadrio.
Batista Bastos recentemente falecido dizia que “a política em Portugal abandonou a ideia de espírito de missão e tornou-se um generosíssimo meio de governar a vidinha”. José Saramago ía mais longe ao dizer: “em Portugal não há direita, não há esquerda, nem há centro, há sim um grupo de salafrários que alternam nos governos para ver quem mais rouba”. De fato a corrupção serve só os interesses de alguns, semeia diferenças entre os cidadãos e revela ausência de honra e pudor.
Num texto do dia 15 de junho, o Papa Francisco falando da corrupção diz que ela é “uma forma de blasfémia, a arma, a linguagem mais comum das máfias”. As suas consequência diz o Papa são “a incúria da cidade, dos bens comuns, da natureza, a perda do sentido do mal”. Desafia os cristãos e não cristãos a unirem-se como “flocos de neves” para gerar a “avalanche de um novo humanismo”.
Enquanto houver gente a pensar que o dinheiro pode comprar tudo, até a honra e a dignidade da pessoa, e enquanto houver quem se deixe comprar, a corrupção não pára. Só uma nova mentalidade baseada na honra e dignidade e no respeito pelos outros pode acabar com este flagelo. Os tribunais continuam a ser importantes para o poder fazer…

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