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Ideias e Factos: Os incendiários

Agostinho Dias - 26/10/2017 - 10:32

Começa a tomar corpo a ideia de que há uma rede terrorista por detrás dos incêndios que este ano destruíram 520 mil hectares de floresta, ceifaram 108 vidas, deixaram reduzidas a cinzas 510 casas, carros, gados, alfaias e cerca de 340 empresas que davam trabalho a cinco mil pessoas. Esta rede terrorista mostra organização na medida em que escolhe as melhores datas para atuar de acordo com o calendário dos bombeiros e com o tempo meteorológico, e ainda na concertação dos lugares e horas de provocar os incêndios. 
Nota-se que há contacto entre os agentes e concertação dos modos de atuar.
É preciso que a Polícia Judiciária e os Tribunais atuem e detetem quem são os organizadores desta rede terrorista, e não se limitem a prender aqueles que no terreno são os seus mandatários de pegar fogos, certamente a troco de dinheiro. 
Há certamente interesses que movem esta rede e é preciso descobrir quais são esses interesses. Sei que não é um trabalho fácil, que exige persistência para obrigar os incendiários a falar, mas essa é a missão dos polícias e magistrados.
Muito se tem falado da organização do combate aos incêndios, das indeminizações a dar a quem perdeu pessoas ou bens, e é necessário que se tratem esses aspetos. Parece-me que se tem passado um pouco ao lado da investigação sobre a origem dos incêndios, mas seria bom que ela não fosse descurada, porque é essencial nesta conjuntura e até mesmo em relação ao futuro. É certo que deverá ser acompanhada por uma educação cívica dos portugueses sobre o valor da floresta e os perigos do fogo, a partir dos bancos da escola. Todos juntos não somos demais para debelar este flagelo.

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