A Deco/Proteste acaba de apresentar um estudo sobre a qualidade de vida dos idosos em lares no território nacional, tendo em consideração instituições privadas de solidariedade social (I.P.S.S), misericórdias e instituições privadas. Foram inquiridos 2.250 utentes tendo sido obtidos 647 respostas. Assinala como principais problemas o tempo de espera por vagas, o valor incomportável que têm de pagar e a deterioração da qualidade de vida e saúde durante a pandemia.
Cada idoso espera, em média, 108 dias por vaga num lar privado, 171 numa I.P.S.S. e 173 numa Misericórdia. Cada idoso tem uma fatura média mensal de 951,2 euros, da qual consegue pagar 730,4 euros, restando 220,8 em média para serem pagos pela família.
“No que respeita à saúde, o estudo demonstra que o número de idosos com baixa forma física e mobilidade sobre de 42% - no momento de entrada no lar – para 74%, dias antes de falecerem; quanto à saúde mental passa de 35% dos casos para 59%”. Quanto ao grau de satisfação tem uma pontuação de 6,8, numa escala até 10, “algo que é explicado pelo número de funcionários suficientes durante a semana, qualidades das refeições, condições dos quartos, e transparência dos custos”. Já os cuidados médicos e de enfermagem tem uma pontuação média de 6,6 em 10 e os cuidados psicológicos e a terapia ocupacional fica-se pelos 5,6%.
Um segundo estudo feito depois do início da pandemia evidencia que “o confinamento entre março e abril agravou a qualidade de vida e a saúde dos idosos que habitam em lares”. Assinalam a falta de materiais de higienização e máscaras, a falta de testes covid-19, a falta de roupa de proteção dos funcionários, o confinamento e a falta de visitas, a falta de cuidados médicos, que deu origem a muito menor qualidade de vida e casos de morte mais frequentes. Os lares são muitas vezes um mal menor, mas não nos pode deixar de consciência tranquila.
Diz a encíclica Fratelli Tutti a propósito da pandemia: “Oxalá não seja mais um grave episódio da história, cuja lição não fomos capazes de aprender. Oxalá não nos esqueçamos dos idosos que morreram por falta de ventiladores em parte como resultado dos sistemas de saúde que foram sendo desmantelados ano após ano.”