Comemorar o 25 de abril, em Portugal, é recordar o início desta fase da democracia partidária, dependente da escolha dos portugueses em votações livres.
Apesar de já levarmos 43 anos de vivência democrática, na minha opinião, ainda não conseguimos livrar-nos de determinados pecados que afetam a nossa democracia.
O 1.º é o empenho dos partidos em conquistar o poder, através de programas, propostas e às vezes mesmo demagogia, e depois de alcançado esquecem aqueles que apregoavam como seus ideais, e adaptam-se na ânsia de conservar o poder alcançado.
O poder converte partidos anti-europeístas, em defensores do programa de estabilidade exigido por Bruxelas.
Faz esquecer promessas eleitorais de não aumentar impostos, em “brutal aumento de impostos”. E pior ainda é quando o poder corrompe e leva a negócios menos claros como a corrupção, fuga a impostos, etc.
O 2.º pecado da nossa democracia é o de se pensar que os cidadãos cumprem o seu dever cívico, apenas votando na eleições e escolhendo os seus representantes partidários, para decidirem em seu nome.
As associações cívicas, os movimentos de moradores , os intelectuais e às vezes até as associações sindicais, que não são correia de transmissão de qualquer partido, têm pouca ou nenhuma força; as próprias igrejas que falam em nome dos seus fiéis são facilmente ignoradas pelos poderes constituídos.
Parece que ainda não vencemos o iluminismo de quem está no poder e se considera o único e legítimo representante do povo.
O 3.º pecado é o de em todos os setores, quer nacionais, quer autárquicos, os detentores do poder trabalharem fundamentalmente em função do programa eleitoral.
No ano de eleições dão-se benesses ao povo, marcam-se inaugurações, aparece com mais frequência junto das pessoas, etc.
Passada essa época o partido que ganhou assume o poder, achincalha os outros partidos, manda a seu belo prazer, até novas eleições.
Apesar destes pecados, ainda não há melhor regime do que a democracia…