Como os nossos candidatos ao Parlamento Europeu não parecem muito interessados em discutir os verdadeiros problemas da Europa, a Comissão Nacional da Justiça e Paz adiantou-se destacando cinco prioridades para a política europeia. A primeira é o combate às desigualdades: se na Bulgária o preço médio de trabalho por hora é de 4,90€, esse preço na Dinamarca é de 42,50€; neste intervalo situam-se todos os países da União incluindo Portugal. Será isto a coesão europeia? A segunda é o combate ao desperdício alimentar: por ano na União vão para o lixo 88 milhões de toneladas de alimentos, o que num mundo onde tantos passam fome é nitidamente um exagero. A terceira é o fim da exportação de armamento, sobretudo para zonas de conflito; os países da União são os 4.ºs maiores exportadores de armas para o Médio Oriente e para países africanos em guerra. A quarta é a exigência de respeito pelos direitos humanos por parte das multinacionais, sobretudo dos direitos dos trabalhadores: o PIB de diversos países da União é inferior ao volume de negócios de algumas multinacionais aí implantadas, pelo que são elas a ditar as regras do trabalhado, do mercado e não esses países. A quinta é a abertura da Europa ao Mundo: há tantos emigrantes a pedir ajuda, e há países que os recusam e até constroem muros para que não entrem…
Gostaríamos de ouvir os nossos candidatos ao Parlamento Europeu a falar destes problemas reais da União para termos uma ideia do que eles pensam e assim orientamos o nosso voto nas eleições do dia 20 de maio. Penso que a União Europeia não pode continuar a ignorar estas situações, sob pena de as pessoas pensarem que é mais um projeto falhado.