Em Portugal, o pior inimigo da floresta são os incêndios que todos os verões queimam milhares de árvores. No ano que estamos a terminar arderam até final de setembro, em Portugal, 150.364 ha de floresta, o equivalente a mais de 150 mil campo de futebol. Se o número de incêndios diminuiu em 16% em relação ao ano anterior, foi mesmo o mais baixo desde 2006, como pode ter sido tão destruidor? Explica-se pela severidade meteorológica que fez aparecer muita erva com as chuvas tardias, que depois secou com os altas temperaturas, tornando-se a acendalha fácil para os pirómanos.
Só em agosto arderam 115.159 há, fruto dos 5.074 incêndios que deflagraram neste mês, em todo o país.
Felizmente para nós, com 3.218 ha ardidos no distrito, não fomos dos mais sacrificados; Aveiro e Viana do Castelo foram os distritos com mais área ardida, e Porto, Braga e Aveiro os que tiveram o maior número de incêndios. Não estão aqui incluídos os dados relativos aos incêndios da Madeira que provocaram 3 mortos, um ferido grave e centenas de deslocados, com um prejuízo avaliado em 61 milhões de euros, sobretudo devido aos 300 edifícios destruídos ou afetados.
Tudo isto acontece porque continuamos apenas a confiar nos bombeiros para apagar os fogos e pouco fazemos para os evitar. Enquanto não se trabalhar na desmatação da floresta, na prevenção dos crimes dos incendiários, na criminalização forte daqueles que forem apanhados, no ordenamento florestal a sério, todos os anos chegamos a esta altura lamentando a destruição de uma das nossas maiores riquezas.
A Laudato Si apela a uma conversão ecológica que “implica a consciência amorosa de não estar separado das outras criaturas, mas de formar com os outros seres do universo uma estupenda comunhão universal. O crente contempla o mundo, não como alguém que está fora dele, mas dentro, reconhecendo os laços com que o Pai nos uniu a todos os seres”.