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Ideias e factos: Perdemos o gosto da fraternidade

Agostinho Dias - 15/10/2020 - 9:28

De março a junho deste ano, em plena crise de pandemia do covid-19, os dois mil mais ricos do mundo aumentaram as suas fortunas em 8,6 biliões de euros, o equivalente a 50 vezes o que Portugal produz num ano. Esse crescimento do seu pecúlio, quando o mundo estava todo em recessão económica, resulta das apostas na recuperação das bolsas, quando o mercado de capitais estava no pior momento. Este aumento de fortunas era suficiente para pagar toda a crise… É assim o capitalismo selvagem sempre ávido de aumentar as suas contas bancárias!
Alguns foram generosos e deram umas migalhas do que lhes sobrava. Outros não olharam para os 1,2 mil milhões de crianças que vivem em pobreza multidimensional devido à pandemia, segundo dados da UNICEF e da organização Save The Children; não têm acesso a alimentação, a educação, a saúde, a água potável, a habitação, a esgotos, a análises, etc… Apenas pensaram no seu pecúlio. “Aumentou a riqueza, mas sem equidade, e assim “nascem novas pobrezas” como diz o n.º 21 da Tutti Fratelli. E continua: “Enquanto uma parte da Humanidade vive na opulência, outra parte vê a própria dignidade não reconhecida”.
Isto só mostra que nos esquecemos de que somos todos irmãos e só juntos nos poderemos salvar. Já Bento XVI afirmava a 22 de setembro de 2011, no Parlamento da República Federal da Alemanha: “muitos Estados ao serem instrumentos para a destruição do Direito – tornaram-se num bando de salteadores, muito bem organizados, com publicidade devidamente montada, capazes de ameaçar o mundo inteiro e de o impedir à beira do precipício.” Estas fortunas são feitas com a cobertura do Estado que são capazes de cobrar às empresas 4.300 taxas, e que a estes magnatas não conseguem a cobrança de impostos com todas as escapadelas que lhe permitem uns paraísos fiscais. O que está errado é o sistema que permite fazer fortunas com a especulação e não com o trabalho honesto.
Agostinho Dias
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