Saiu o relatório independente dos incêndios de 15 de outubro de 2017, que na minha opinião se mostra incompleto. Afirma esse documento que neste dia houve 495 ignições, 35,9 das quais resultaram de incendiarismo, 33% de queimadas e 23,6% de reacendimentos. Não indica quem foram os incendiários que provocaram 35,9% das ignições, apontando apenas para a E.D.P. como provocadora de uma dessas ocorrências. Têm sido indiciados por estes crimes doidos, ébrios ou socialmente inadaptados. Se considerarmos que houve uma coordenação das ignições no tempo e no espaço, de modo a não dar hipótese aos poucos bombeiros que havia de poderem atuar, trata-se de gente inteligente e poderosa, cujo perfil não se coaduna nada com o dos indiciados. Está pois por explicar quem foram os incendiários que certamente tinham interesses poderosos nesta “indústria do fogo” e por isso combinaram entre si lugares e horas para provocar os incêndios.
Tratando-se da tarde de um domingo, com condições de calor e falta de humidade extremas, também não me parece verosímil que andasse tanta gente a trabalhar no campo fazendo queimadas com boa intenção. Ou integramos estas queimadas no capítulo dos incendiários, ou diminuímos muito a quantidade das queimadas.
Está pois por explicar no relatório aquilo que é evidente: tratou-se de uma ação concertada, por forças interessadas em provocar os incêndios, embora os relatórios não o queiram dizer.
Tomo como exemplo o incêndio que começou a meio da tarde do dia 15 de outubro, ao mesmo tempo que tantos outros, junto à povoação de Salgueiro do Campo, e que atravessou as freguesias de Juncal e Freixial do Campo, Ninho do Açor, e só foi parado no dia seguinte em Sobral do Campo. Foi a 11.ª vez que neste ano alguém provocou ignições junto a esta povoação; os bombeiros apagaram 10 vezes e nesta tudo estava preparado para que, apesar de tocarem muitas vezes a sirene, não conseguissem responder. Qual o interesse nesta insistência de ignições?
Responda que saiba…