A partir de 20 de outubro vão ser dados apoios de 125 e de 50 euros, com o objetivo de mitigar o impacto da inflação, a titulares de rendimentos de prestações sociais e aos seus dependentes, respetivamente. Abrange ainda quem tem rendimentos de trabalho inferiores ou iguais a 2.700 euros, em 2021 ou 22, bem como desempregados sem subsídio até 1 de setembro de 2022.
Isto cheira-me a tentativa de compra de votos por baixo preço… Prefiro aquilo que se está a planear para o orçamento do Estado de 2023: aumento do salário mínimo, diminuição de alguns impostos, tudo isto feito na concertação social e com o apoio do Estado. O país tem vivido de apoios do Estado, que ora vêm, ora nem chegam, o que torna os cidadãos subsídio dependentes. É o Estado “paizinho”, a cuidar dos seus cidadãos. Aumentam-se os salários e pensões mais baixas, com perda de poder de compra da classe média, e o país vai empobrecendo, aumentam as desigualdades, faz-se figura de rico com carteira de pobre. O Estado pensa mais nos votos do que nas pessoas, apesar de dizerem o contrário.
Diz o n.º 202 da Evangelii Gaudium do Papa Francisco: “a necessidade de resolver as causas estruturais da pobreza não pode esperar; e não apenas por uma exigência pragmática de obter resultados e ordenar a sociedade, mas também para a curar de uma mazela que a torna frágil e indigna e que só pode levá-la a novas crises. Os planos de assistência, que ocorrem em determinadas emergências, deveriam considerar-se apenas com respostas provisórias. Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, renunciando à autonomia absoluta dos mercados e da especulação financeira e atacando as causas estruturais da desigualdade social, não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema “algum”.
Agostinho Dias
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