Mudou a equipa ministerial que servia o país na pasta da Saúde: tinham a seu cargo sobretudo o Serviço Nacional de Saúde. Foram elogiados e aplaudidos nos anos da pandemia, mas atualmente, sobretudo por aquilo que se passa na área da obstetrícia, chegaram ao fim, pedindo a demissão do cargo. Marta Temido deixa a pasta com gastos de 42% acima de 2018, e com mais 18% de efetivos; no entanto desde esse ano duplicou o número de pessoas sem clínico atribuído no S.N.S. Aqui está ao que parece a primeira contradição: ao aumento do número de médicos, deveria corresponder um número menor de pessoas sem médico de família, mas aconteceu o contrário. Falta de organização, desresponsabilização dos clínicos? Explique-nos quem souber… Há ainda 1,2 milhões de portugueses sem médico de família. As situações mais graves acontecem nas maternidades do S.N.S. que perderam 15 mil postos em 10 anos, devido à queda da natalidade, e ao crescimento dos privados. Foi mesmo a morte de grávida, à procura de uma maternidade que a acolhesse, que provocou a demissão da ministra da saúde. Parece que a solução vai ser a de fechar maternidades, aumentando assim as distâncias a percorrer pelas grávidas quando precisarem de ser atendidas, sujeitando-as acidentes de percursos semelhantes aos que já aconteceram.
A saúde é o bem maior de qualquer mortal, lá diz o povo “para a saúde vão-se os anéis, mas fiquem os dedos”. O pior é quando os anéis não chegam para a pagar, e aumenta a mortalidade, como já está a acontecer. Os hospitais privados não são acessíveis a todos, nem chegam para todos. O Serviço Nacional de Saúde é essencial e é preciso defendê-lo.
Agostinho Dias
[email protected]