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Ideias & Factos: Subida de salário e da inflação

Agostinho Dias - 16/02/2023 - 10:38

Em 2022 os portugueses gastaram por dia no supermercado 32,4 milhões de euros; isto fez crescer o custo das vendas totais a retalho 9,6% para 11.821 milhões, isto é, mais 1.036 milhões de euros do que no ano anterior. Não se pense que levaram mais produtos para casa, pois houve uma contração no consumo: gastaram mais dinheiro, mas levaram menos compras para casa. Tudo isto fruto da inflação dos preços. Alguém ganhou com esta subida de preços, mas não foram os agricultores que os produzem já que os seus proventos recuaram 4,9% e por isso manifestaram-se nas ruas.
Tudo isto seria certo, se os salários tivessem subido na mesma proporção da inflação que foi de 7,2%. Diz a comunicação social que só os políticos e dirigentes de topo é que aumentaram 9,6% nos salários, bem como os chefes e gestores que ganham 10 vezes acima dos médicos e professores que subiram apenas 1% do ordenado no último ano. Deste modo a remuneração bruta mensal média em 2.022 diminuiu 4,2% devida à inflação de 7,2% . Os trabalhadores da administração pública foram mesmo os que tiveram maiores perdas e por isso estão com mais dificuldade em enfrentar o custo de vida e de habitação. Não admira deste modo o ambiente de contestação laboral que estamos a viver pois o custo de vida subiu para todos por igual, mas o ordenado não.
Diz o nº. 44 da Amoris laetitia: “as famílias sofrem de modo particular com os problemas relativos ao trabalho. As possibilidades para os jovens são poucas e a oferta e trabalho é muito seletiva e precária. As jornadas de trabalho são longas, e, muitas vezes, agravadas pelo tempo dispendido na deslocação”. No nº. 49 continua: “quero assinalar a situação das famílias que caíram na miséria, penalizados de tantas maneiras, onde as limitações de vida se fazem sentir de forma lancinante. Se todos temos dificuldades, estas, numa casa pobre, tornam-se mais duras”.

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