António Guterres, secretário geral da ONU, considera “imoral” que as empresas de petróleo e gaz estejam a registar resultados financeiros recorde durante a atual crise energética e exortou todos os governos a tributarem os seus “lucros extraordinários”. Esta ganância grotesca está a punir as pessoas mais pobres e vulneráveis, enquanto destrói a nossa única casa” – acrescentou para justificar esta atitude. Os lucros combinados das maiores empresas de energia a nível global aproximam-se dos 100.000 milhões de dólares no primeiro trimestre deste ano. Como consequência há países a introduzir subsídios universais em postos de gasolina, enquanto outros estão a reabrir centrais de carvão. “É difícil justificar tais medidas mesmo temporariamente”.
Em Portugal, a Galp, apesar de comparada com as suas congéneres ser uma empresa pequena, apresentou lucros de 420 milhões de euros. Se olharmos o preço exagerado a que temos vindo a pagar os combustíveis, trata-se sem dúvida de um “lucro imoral” no dizer de António Guterres.
Quando se falou de fazer um imposto extraordinário sobre estes lucros, vieram logo os partidos mais à direita defender que as empresas são para dar lucro. Se em tudo procederam de acordo com a entidade reguladora, não têm nada que ser taxadas por esses lucros. Os partidos mais à esquerda têm outra opinião: as empresas têm uma função social na comunidade em que atuam e taxar lucros exagerados faz parte desta função social. Enquanto vão discutindo o Zé Povinho é que se lixa: paga e não bufa, enquanto outras vão ganhando mundos e fundos. Não tenho dúvida que a responsabilidade social das empresas existe e é para ser exercida.