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Ideias & Factos: Urgências hospitalares em crise

Agostinho Dias - 12/10/2023 - 10:15

Com a nega às horas extraordinárias por mais de 1.000 médicos, que recusaram ir além das 150 anuais que a lei obriga, apareceram graves constrangimentos em 27 hospitais do Serviço Nacional de Saúde. Entre janeiro e agosto os médicos do SNS já fizeram mais de 4 milhões de horas extraordinárias que ficaram ao Estado em mais de 300 milhões de euros. Esgotado que foi o plafond de horas extraordinárias, as urgências estão sem médicos até ao final deste ano, e só têm como solução o fecho. Isto provoca o caos completo nos hospitais que estejam abertos.
Como solução há quem aponte a organização de equipas com a especialidade de urgências e que só se dediquem exclusivamente a este trabalho. Há dias, ouvia alguém ligado à gestão hospitalar a dizer que não se deviam contar as horas de trabalho, masos atos médicos realizados, pondo em causa a produtividade dos que trabalham neste setor. Seja por causa da falta de pessoal, seja pela falta de produtividade, quem se trama sempre são os doentes que esperam horas e alguns já morreram à espera…
Com uma grande percentagem da população portuguesa idosa, o problema tem de ser resolvido, se não quisermos causar uma catástrofe na saúde dos portugueses com o fecho de tantas urgências hospitalares. É preciso atrair médicos ao S.N.S, pagando-lhes convenientemente e dando-lhes condições para poderem trabalhar. Isto é uma exigência da saúde pública. Diz o Papa Francisco no nº. 205 de Evangelii Gaudium: “Rezo ao Senhor para que nos conceda mais políticos que tenham verdadeiramente a peito a sociedade, o povo, a vida dos pobres. É indispensável que os governantes e o poder financeiro levantem o olhar e alarguem as suas perspetivas, procurando que haja trabalho digno, instrução e cuidados de saúde para todos os cidadãos.”

 

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