As terras do interior do país estão a ser escolhidas por estrangeiros, alguns ainda jovens, para vir aqui viver; são já algumas dezenas de casos que conhecemos no concelho de Castelo Branco. Escolhem um lugar geralmente fora das povoações, aí compram uma casa muito rudimentar, ou colocam uma roulotte, e vivem, cultivando pequenas parcelas de terreno, alguns trabalhando para os seus países através do computador, e outros com as vizinhas a interrogar-se sobre como é que eles subsistem. São pessoas que descobrem o nosso bom clima, a pacatez pacífica das nossas gentes e o sossego dos nossos campos.
Alguns portugueses estão a seguir o seu exemplo e a trocar a vida agitada de Lisboa pelo cultivo de terras da nossa Beira, vivendo do que aí produzem. Apesar de tudo, são bem mais os que daqui saem para o litoral, à procura de melhores condições de vida. E, de fato, o nosso governo, apesar de encher a boca com a necessidade de acabar com as assimetrias e a promoção do interior, continua a promover os grandes centros do litoral até à custa de quem vive no interior. Exemplos: os passes sociais, apoiando em 14% os passes de Lisboa, e em 2% os do interior; a água que cai nas nossas serras e é conduzida pelos rios, e que agora as nossas Câmara têm de pagar numa pesada fatura às companhias sediadas em Lisboa; as portagens das nossas autoestradas com poucas alternativas e deficientes, em comparação com as alternativas que existem nos grandes centros do litoral; criaram mais lugares nos politécnicos do interior, mas já temos as universidades de Lisboa, Porto e Coimbra a querer reverter esta situação…
É nos grandes centros que estão cada vez mais os votantes nas eleições. Aos políticos interessa apenas captar os seus votos e por isso tudo fazem para isso, mesmo esquecendo as promessas feitas.
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