Igreja vai manter-se em atividade com a saída da congregação. Foto Reconquista
A saída da Congregação do Santíssimo Redentor da cidade de Castelo Branco, onde está presente desde 1952, não vai colocar em causa o funcionamento da Paróquia de Nossa Senhora de Fátima, popularmente conhecida por Fradinhos.
A garantia foi deixada ao Reconquista pelo padre Nuno Folgado, que irá assumir esta paróquia em acumulação com as funções que já desempenha nas Paróquias de São Miguel, São José Operário e Nossa Senhora das Preces.
“A vida sacramental da comunidade, a vida espiritual da comunidade, a vida humana da comunidade continuará como até agora. Talvez com um bocadinho mais de pontes com as outras comunidades, por passar a ser servida pelo mesmo pároco que serve as outras paróquias da comunidade. Mas a palavra de ordem não será nem o parar, nem o fechar, nem o acabar”, assegura.
A mudança não deverá acontecer antes do final de setembro mas Nuno Folgado diz que o normal funcionamento da paróquia, incluindo a catequese, não está dependente desta tomada de posse.
No entanto, o sacerdote reconhece que a saída da congregação é um momento relevante.
“É mais do que um fim de ciclo. Esta paróquia, ao contrário de outras, começou com uma comunidade redentorista. Era um seminário redentorista, que tinha uma porta virada para a rua e que foi deixando as pessoas entrar e, a certa altura, havia uma comunidade e uma comunidade que, nos anos 90 e 91, passou a ser paróquia”, enquadra Nuno Folgado. Ficou uma identidade forte e por isso percebe a agitação na comunidade desde que foram conhecidas as nomeações.
O anúncio da saída da congregação foi feito o bispo de Portalegre e Castelo Branco, através da lista de nomeações divulgada a 26 de julho por D. Antonino Dias, que elencou 13 mudanças neste documento enviado ao Reconquista, deixando em aberto “uma ou outra situação que será resolvida logo que possível”.
D. Antonino Dias deixa ainda um agradecimento ao padre Joaquim Eugénio Lumingo, dos Redentoristas, na hora da saída da comunidade religiosa de Castelo Branco.
“O padre não é um motor. O padre é mais um e, portanto, pode ser mudado a meio do caminho. Não tenho que parar tudo para o padre mudar”, afirma Nuno Folgado.
Para o sacerdote, este caso é também demonstrativo da necessidade de abrir a Igreja aos leigos. O padre “é um servidor da comunidade, mas a regra é a comunidade”.
A mudança trará também uma maior proximidade entre as várias paróquias da cidade, como já aconteceu quando o pároco da Sé assumiu São José Operário, onde o trabalho não foi interrompido. O que haverá agora é escala. Por exemplo, será normal que uma reunião para formação de catequistas congregue todas as paróquias. Mais uma vez, Nuno Folgado fala da necessidade de capacitar a comunidade “porque, de facto, nós olhamos à volta e percebemos que o mundo não está a andar para tornarmos a ter cinco padres na paróquia”.
Voltando aos Redentoristas e ao seu futuro “a comunidade será, sobretudo, aquilo que a comunidade quiser ser. Ninguém será posto à margem, ninguém estará a mais, cada um tem o seu lugar e vamos andando e vendo”.
O Reconquista questionou a Congregação do Santíssimo Redentor sobre as razões da saída da cidade mas ainda não obteve resposta.