A Igreja tem uma palavra forte para comunicar, mas tem de ser com autenticidade, mostrando que é feita de “gente pecadora e com falhas profundas”.
D. Alexandre Palma e João Miguel Tavares abriram o programa
O Secretariado Nacional das Comunicações Sociais (SNCS) promoveu, dia 24 de setembro, no Seminário de Leiria, as Jornadas Nacionais de Comunicação Social, sob o tema “Por uma gramática do encontro”.
O encontro abriu com o presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, D. Alexandre Palma, e o jornalista João Miguel Tavares, uma conversa sobre o tema “reaprender a arte de conversar”.
Igreja tem um produto incrível para comunicar, a palavra, não só dentro da Igreja, mas também para fora”, afirma João Miguel Tavares, reconhecendo que a Igreja “é atacada, mas não é pela mensagem, ou por Jesus. Por isso, se a palavra é espetacular, o problema está na forma como comunica”.
O jornalista alerta que “vivemos num mundo de gente perdida, inclusive dentro da Igreja. Está-se a perder a parte contemplativa, a alegria das pequenas coisas. As pessoas sentem profunda falta do mundo espiritual” e da sua “verticalidade”.
E o erro pode estar na abordagem, porque “Jesus Cristo não fez doutrina, apenas disse: segue-me, porque a melhor maneira de transmitir a palavra é pelo exemplo”.
E isso não significa fazer “turismo do bem, durante uma hora por dia, ou em qualquer momento agendado”.
O jornalista defende que “a Igreja tem a obrigação de passar a mensagem de que somos uma comunidade de pessoas pecadoras e com falhas profundas”, ideia corroborada por D. Alexandre Palma que, reitera que “também precisamos contar histórias de gente perdida, histórias reais, mas que não perderam a esperança dentro do mal. As histórias de pessoas boas e perfeitas são chatas”.
Para justificar que a Igreja tem de saber comunicar e que as pessoas procuram “jangadas para se agarrar”, João Miguel Tavares lembrou os hits de Jorge Palma, como “Frágil”, “Dá-me lume”, “Deixa-me rir”, mas o que mais se ouve nestes dias é a frase “a gente vai continuar”.
O jornalista e comentador alerta ainda que “as igrejas estão vazias, porque crescemos a olhar para uma Igreja do ‘não’, do ‘proibido’, quando Papa Francisco dizia: ‘a Igreja é um hospital de campanha, de portas abertas para acolher todos e tratar os pecadores’. E foi por isso que Francisco deu uma nova esperança a tantos”.
D. Alexandre Palma afirma que “tem de haver uma melhoria na comunicação a nível dos conteúdos, mas também a nível gráfico, adaptada às tendências da atualidade”.
Seja em que formato for, até no digital, ambos concordam que “a mensagem tem de ser autêntica. Tem de haver autenticidade para chegar às pessoas”.
Este ano, o evento assumiu um novo formato, de apenas um dia, mas com teor mais prático, em modo sinodal, onde em conjunto se refletiu e se conjugaram os verbos acolher, conversar, parar, escutar, partilhar, programar e celebrar.
Durante a tarde, os participantes foram divididos por grupos de trabalho, tendo cada um debatido um tema, desde como organizar um secretariado diocesano, ao cuidar a comunicação institucional, criar conteúdos digitais, informar sobre a Igreja e a religião, comunicar nos media eclesiais e anunciar na missão digital.