Ana Hormigo esteve à frente da seleção nacional feminina nos últimos anos. Foto arquivo Reconquista
A selecionadora nacional feminina de judo, Ana Hormigo, foi afastada de funções pela Federação Portuguesa de Judo (FPJ), naquele que é mais um episódio do diferendo entre um grupo de atletas e a direção liderada por Jorge Fernandes. O caso foi revelado por Telma Monteiro, que numa publicação na sua página pessoal da rede social Facebook denunciou que a albicastrense foi despedida das responsabilidades federativas à beira do apuramento olímpico.
“Hoje (17 de outubro) a federação despediu a treinadora Ana Hormigo, por email, no dia antes da equipa viajar! Sem a equipa ou a própria saber de forma antecipada”, lamentou a judoca medalhada nos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
Segundo Telma Monteiro a decisão foi comunicada na assembleia da federação, onde “soube que o presidente informou os presentes, que os atletas que escreveram a carta aberta há uns meses, terão esta semana para se retratarem ou serão levados a tribunal”.
Dirigindo-se a Ana Hormigo, Telma Monteiro escreveu que espera como atleta “de alguma forma continuar a ter a tua presença nas competições e espero que as entidades responsáveis intervenham nesse sentido”, afirmando ainda que “como amiga digo-te que fico feliz que não tenhas mais de lidar diretamente com essa instituição. Que sorte a tua!”. O Reconquista contactou a judoca albicastrense que optou por não prestar declarações mas que não se demarcou da posição assumida por Telma Monteiro, que Ana Hormigo também treina no Benfica.
Ana Hormigo assumiu em agosto o apoio aos atletas que assinaram uma carta aberta ao presidente da FPJ, lamentando o tratamento da parte da instituição dirigida por Jorge Fernandes. A Escola de Judo Ana Hormigo contestou também nessa altura a não convocação de Adriana Torres para o Festival Olímpico da Juventude Europeia e para o campeonato do mundo de cadetes. Ao mesmo tempo a Associação Distrital de Judo de Castelo Branco anunciou que retirava o apoio político e institucional ao presidente da federação.
O Reconquista contactou o presidente da FPJ mas até ao fecho desta edição não obteve qualquer resposta. Mas à RTP, Jorge Fernandes disse que foi enviado um ofício para a agora ex-selecionadora entrar em contacto com os advogados da federação, defendendo ainda que Ana Hormigo deveria ter-se demitido antes de assumir uma posição de solidariedade com os atletas, que por sua vez estavam contra a direção da federação.
“Não há condições para que Ana Hormigo continue como treinadora, como ela própria reconheceu. Ela não pode estar a escrever o que escreveu sem nunca ter falado connosco. Nunca falou com a federação em cinco anos e dez meses”, acusou Jorge Fernandes na televisão pública. Segundo a mesma fonte, o secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Correia, lamentou “que não tenha imperado o bom senso na modalidade, e face às acusações que são feitas por um conjunto de atletas relativamente à federação, importa esclarecer algumas situações”, referindo-se ao acesso a apoios que também esteve na base da posição pública de Telma Monteiro.
Ana Hormigo era selecionadora desde 2017, depois de ter desempenhado iguais funções entre 2012 e 2014.
Texto publicado por Telma Monteiro no Facebook
Notícia atualizada a 20 de outubro