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Karaté: Escola de Castelo Branco leva atletas ao mundial wado

Artur Jorge - 24/07/2019 - 15:11

Associação de Karaté de Castelo Branco abraça desafio mundial do estilo wado. Equipa prepara-se afincadamente para fazer figura em terras de Sua Majestade.

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Atletas albicastrenses t~em o foco colocado na competição mundial em Inglaterra

Cinco karatecas de Castelo Branco, entre os quais o mestre Joaquim Salgueiro, estão focados na preparação do Campeonato do Mundo do estilo wado, que vai decorrer em Inglaterra de 18 a 22 de setembro. A ideia de abraçar o desafio começou a ser amadurecida em 2018, no decurso da participação da AKWCB no Campeonato da Europa, em Braga.

“Definimos nesse momento que queríamos lá estar”, adianta Joaquim Salgueiro ao Reconquista. A estratégia da criação de um grupo de competição na escola albicastrense, mais os indicadores que emergem da participação dos karatecas nas provas do calendário nacional, confirmam a pertinência da aposta. A Associação de Karaté Wado Portugal, representante internacional deste estilo, pede aos seus clubes qualidade na seleção dos atletas. Joaquim Salgueiro alinha pelo mesmo diapasão: “Há uma responsabilidade acrescida. No Europeu levámos sete karatecas porque estávamos em casa. E os miúdos até se portaram bem. Mas agora é um certame mundial, ninguém tem lugar garantido. A seleção está a ser feita e só quem estiver focado na exigência, vai conseguir chegar lá”.

Diz a experiência ao mestre que só “treinando tanto ou mais que os outros” é possível exibir um bom desempenho a este nível. A questão física é, no seu entender, determinante: “É meio caminho andado para fazer boa figura”, diz. Por isso, há um plano de trabalho aturado e complementar aos contactos competitivos realizados durante a época: “Estão a treinar com muita vontade. Todos os dias. E vamos iniciar sessões bidiárias”. E mais: “Estamos a planear uma atividade concentrada de 24 horas dentro das instalações desportivas. Treino às 6h00, pequeno-almoço, trabalho de ginásio, karaté…Um dia inteiro, reforçando os laços e o objetivo que nos norteia”.

O projeto de competição já vinha da anterior sala de karaté, na Horta d’Alva. E encontrou um balão de oxigénio no modelar espaço da Rua António Rodrigues Cardoso, transversal à avenida Humberto Delgado. “Hoje temos todas as classes separadas por escalão etário. E um grupo de competição. Quando percebo que há um praticante com algum jeito, convido-o para a classe de competidores. Criámos as condições e eles serão o futuro do karaté em Castelo Branco”. Os atletas que estão a ser preparados para Inglaterra já têm experiência de competição. E deveriam ter mais…

MIGALHAS “A presença nos momentos competitivos faz-se com apoios. E essa é a parte mais complicada. Porque não está garantida. Temos que andar a pedir por favor. E o que vem, vem às migalhas. É uma parte que ainda não consegui perceber…”.

O item apoios é especialmente sensível ao homem que faz karaté em Castelo Branco há mais de trinta anos. “Não compreendo que a uns deem um bolo grande e a outros apenas uma fatia! Se dessem à Associação de Karaté 20 mil euros/ano faríamos flores. Se dão a outros! Agora com 2 mil euros/anos tens de selecionar muito bem as provas. E ficar por aí! Já nem falo na sobrecarga dos pais. Isso dói. Porque os nossos jovens merecem igual direito de oportunidades. Essa vai ser a nossa guerra”, enfatiza Joaquim Salgueiro.

Entretanto, as novas instalações serão inauguradas no mês de setembro. “Estão espetaculares”, regozija-se. “Ainda não tivemos oportunidade de agradecer pessoalmente o apoio prestado neste passo em frente. E gostaríamos de já o ter feito. Com entidades oficiais ou não, a inauguração será mesmo feita no início da nova época”, conclui.

 

A DERRADEIRA COMPETIÇÃO DO MESTRE

“Não sou profissional disto…”

O karaté está-lhe no sangue. Vive intensamente a modalidade. E vai estar no Mundial da Inglaterra. “Já não devia, mas vou fazer esta prova”, refere Joaquim Salgueiro. E explica porquê: “Vai ser a derradeira competição a este nível. Uma preparação desta natureza desgasta-me, exige muito tempo e eu não sou profissional disto. Mas sei o que é necessário para estar a um bom nível. Como estou a treinar os miúdos, imbuído nesta dinâmica… também quero ir! Mas não quero ir só porque fica bem. Terei de me apresentar em muito boas condições: físicas, psicológicas e técnicas”. Esse empenhamento da sua parte será, seguramente, um exemplo para os pupilos.

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