O silêncio e as sombras trazidas pela noite às ruas do Ladoeiro são quebrados durante as primeiras cinco sextas-feiras da Quaresma por um ritual com centenas de anos. Organizados em duas filas, rostos masculinos com mais ou menos rugas caminham à luz de velas vestidos com opas negras, a que se juntam depois as vermelhas, enquanto rezam a Avé Maria a cantar. No fim da fila vai Cristo crucificado, mas é para ele que todos se viram assim que a sineta toca, ajoelhando-se no chão. “Senhor Deus, Misericórdia”, diz-se novamente a cantar, antes de o padre José Manuel Cardoso começar a falar da estação da Via Sacra que corresponde ao local. É assim há mais de quatro séculos nesta aldeia do concelho de Idanha-a-Nova, que tem na Procissão dos Homens uma das marcas da sua identidade.