Foto Duarte Lourenço
Para saberes que eventos astronómicos irão acontecer, é muito simples, basta pesquisar no teu motor de busca preferido algo como “eventos astronómicos em portugal (pôr o ano, ou mês)” e ver o que os artigos dizem. Aqui consegues ter uma breve noção do que está previsto para o ano ou mês que pesquisaste. A partir daqui podes aprofundar dependendo do tipo de evento (cometas, eclipses, auroras boreais, chuvas de meteoros, etc) e recomendo o website Time and Date, que tem praticamente tudo o que precisas saber, mais ainda na aba “sun, moon and space”, em que aparece categorizados os diferentes tipos de eventos. Neste tópico vou ensinar a fotografar com um smartphone e um tripé, auroras e cometas.
Em relação às auroras boreais, o caso é diferente em Portugal, porque necessitam de condições específicas para poderem ser captadas, geralmente devido a tempestades solares do nível máximo G5, em que basta uma simples pesquisa para saber quando poderão acontecer e quando chegarão ao nosso planeta. Estas mesmas tempestades geomagnéticas, são o que originam as auroras boreais nos nossos polos, que com tal intensidade, poderão ser observadas a norte do nosso país, como na passada noite do dia 10 de outubro. Por serem difíceis de acompanhar devido à sua raridade, uma app que te pode ajudar a avisar, é uma que utilizo e recomendo: “my aurora forecast” - por: JRustonApps, na app store do smartphone (disponível em android e ios). Esta aplicação vai avisar o índice KP. O que é o índice KP? Imagina linhas a partir do Polo Norte, paralelas horizontalmente sobre o globo terrestre, e de uma escala de 0 a 9, sendo idealmente entre 7 a 9 a possível observação em Portugal Continental. Com isto, nas definições da app, podes personalizar um aviso, que se exceder o nível 7, poderás observar na tua localização uma aurora boreal.
Neste caso, vamos focar em eventos que acontecerão de noite.
Sei que eventos vão acontecer, como é que os capto?
Equipamento:
Para a maior parte dos eventos, o teu smartphone basta para uma simples memória digital, sem grandes complexidades e processos. Desde que a câmera do teu smartphone tenha o chamado “modo pro”, que consigas alterar certas definições, manualmente, que passo a explicar mais à frente. Se tiveres uma câmera digital, melhor ainda.
Para além de uma câmera, vais precisar de a ter num sítio estável e fixo, sem qualquer movimento, porque a mínima vibração, ou movimento, vai afetar a imagem final. Para isso o ideal é estar num tripé, que no caso dos smartphones, tenha um suporte para os mesmos. Quanto maior o tripé, melhor, porque consegues colocá-lo onde for mais conveniente. Caso não tenhas um tripé, podes criativamente colocar o telemóvel ou a câmera digital, seguros, por exemplo encostado a algum outro objeto, desde que não haja movimento do dispositivo.
Localização e meteorologia:
Outro fator muito importante, e que requer a referida “sorte”, é a meteorologia. O ideal para tirares maior partido da observação de eventos no céu noturno é ter o máximo de visibilidade possível. Para isso, encontra um sítio longe de luzes de cidades e outras povoações (Podes consultar esta informação na app “light polution map”, ou no browser). Convém ter em consideração que as fases da lua também afetam a observação, sendo que a lua cheia é a pior das fases para se observar o céu noturno, devido ao brilho que reflete, e a melhor, sendo a fase de lua nova (podes consultar estas informação no site fornecido anteriormente, ou na metereologia). Outro aspeto a considerar é o céu não estar obstruído com nuvens, dependendo da intensidade, e do tipo de evento (alguns eventos exigirão um céu limpo para poderes tirar maior partido. Para finalizar este ponto, caso seja um objeto que esteja visível apenas no horizonte (como o cometa C/2023 A3 Tsuchinshan–ATLAS), situa-te num sítio de elevação mais alta e sem obstrução do horizonte.
Para localizares onde e quando o evento se irá realizar, confirma as informações obtidas anteriormente, e através da app “Stellarium”(também disponível para android e ios) podes facilmente localizar, interativamente, e com bastante eficácia, o sítio e horas que o evento acontecerá.
Dica: Não encontras o que pretendes no mapa? Usa a barra de pesquisa no canto superior direito da aplicação.
Captar o evento:
Tendo em conta que: tens as informações de quando e onde o evento se realizará; tens o equipamento pronto; a meteorologia está a teu favor e estás no local certo para a sua observação, estás pronto para poder captá-lo.
Cada evento vai ter uma maneira de ser fotografado, ou gravado, neste tópico só irei mencionar fotografia a auroras boreais e cometas, porque a realização de fotografias de outros tipos de eventos ou objetos, ou vídeos do céu noturno, requer algum trabalho e conhecimento adicional.
3.1 Fotografar uma aurora boreal:
Abre a bússola do teu smartphone e orienta-te para norte (poderás ter de ajustar a seguir)
Coloca a tua câmera num sítio seguro e estável (idealmente num tripé), a apontar para o horizonte a norte. Abre a app da câmera e coloca no “modo pro”, aqui tens mais opções na interface, sendo que os que importam mais são o “ss” (shutter speed), ISO (sensibilidade do sensor), e focagem (geralmente um símbolo de uma montanha com um “F” por cima).
O primeiro a ser feito é clicar na focagem e colocar no máximo (no infinito, ou no simbolo da montanha, para focar o mais longe possível), depois, os seguintes parâmetros são ajustados consoante o nível de brilho que em saem as fotografias. É aqui que entra o “SS”, a velocidade do obturador, ou o tempo que demora a fazer a fotografia (geralmente de 1/4000 de segundo, a 30 segundos nos smartphones), aqui o ideal é colocar entre 1 segundo a 13 segundos no máximo (irá aparecer como o número 1, 1 segundo, por exemplo), e depois o ISO, entre 1600 até ao máximo que o dispositivo der. O resto dos parâmetros não são necessários alterar para um simples registo. Para reduzir ainda mais qualquer tipo de movimento ou vibração, que podem fazer a fotografia ficar “tremida” devido ao tempo de exposição de vários segundos, aconselho a colocar na câmera um temporizador de alguns segundos, assim podes clicar para tirar a fotografia, e o tempo em que já não mexes na mesma, é o tempo das pequenas vibrações e movimentos pararem, seja no tripé, ou noutro suporte.
Experimenta várias fotografias e ajusta a exposição conforme o resultado, entre os parâmetros mencionados do SS e do ISO.
Dica importante:
No caso das auroras boreais, pode acontecer, como me aconteceu a mim, de não se ver nada no céu a olho nu, mas não significa que não esteja lá, pois a câmera tem a vantagem de captar mais luz que os nossos olhos devido aos segundos de exposição e do iso definido na fotografia. Tem atenção também que as auroras têm momentos de intensificação, sendo o ideal tirar várias fotografias com alguns minutos de intervalo, à espera de melhores resultados. Poderás ter de ajustar a orientação, mais a nordeste ou a noroeste.
3.2 Fotografar um cometa:
Em relação a outro tipo de eventos como cometas, o processo é idêntico, com a diferença que irás usar a aplicação Stellarium, para localizar o sítio e hora exata do cometa no céu, e com essa informação apontar a câmera nessa direção. Neste caso irá depender se o cometa for visível ao nascer, ou pôr do sol, ou de noite. Caso ainda não seja de noite, o ideal é colocar no modo normal automático e tirar fotografias assim. Caso seja de noite, será mais fácil identificar a olho nu, e tirar da mesma forma que nas auroras boreais. Ter em atenção que qualquer zoom irá afetar os parâmetros da fotografia, caso queiras usar algum zoom, pois é um objecto mais pequeno, coloca a velocidade do obturador (SS) entre 1/60 e 1 segundo, para não haver arrastamento devido à rotação da terra, e coloca o ISO em automático no “A”.
Dica: Caso não tenhas contacto visual com o objeto, tira várias fotografias na direção certa e tenta procurá-lo nas fotografias, assim que encontrares, identifica pontos de referência que te ajudem a localizá-lo no local, como árvores, objetos, nuvens, etc.