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Literacia para a Saúde: Era uma vez a Gripe...

Daniela Coutinho, Médico IFE em Medicina Geral e Familiar - 20/01/2026 - 11:19

A gripe é uma doença aguda, o que significa que tem um início súbito, uma evolução rápida e, na maioria dos casos, uma duração curta e limitada no tempo.

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A gripe é uma doença aguda, o que significa que tem um início súbito, uma evolução rápida e, na maioria dos casos, uma duração curta e limitada no tempo. É causada por um vírus e é considerada uma doença sazonal, ocorrendo sobretudo durante os meses de outono e inverno, quando as temperaturas são mais baixas e as pessoas passam mais tempo em espaços fechados. Existem vários vírus capazes de provocar gripe, sendo os mais frequentes o vírus da gripe A, o vírus da gripe B e o vírus sincicial respiratório. Estes vírus podem sofrer alterações ao longo do tempo, dando origem a novas variantes, o que explica porque a gripe pode apresentar-se de forma diferente de ano para ano e porque é possível ter gripe mais do que uma vez ao longo da vida.

A transmissão da gripe ocorre principalmente através do contacto direto com gotículas respiratórias libertadas por uma pessoa infetada, sobretudo quando tosse, espirra ou fala. A infeção também pode acontecer de forma indireta, através do contacto com superfícies contaminadas, como mesas, maçanetas ou as próprias mãos, uma vez que os vírus conseguem sobreviver várias horas fora do organismo. Ao tocar nessas superfícies e depois levar as mãos aos olhos, nariz ou boca, o vírus pode entrar no corpo.

Após o contacto com o vírus, existe um período de incubação que dura geralmente entre um e cinco dias, correspondendo ao tempo até surgirem os primeiros sintomas. Estes aparecem habitualmente de forma súbita e incluem febre alta que começa de repente, dores no corpo e nos músculos, arrepios, tosse seca, cansaço intenso e uma sensação marcada de mal-estar geral. Podem ainda surgir dor de cabeça, dor de garganta e diminuição do apetite.

Na maioria dos casos, o tratamento da gripe é feito em casa e tem como objetivo aliviar os sintomas. O repouso é fundamental, assim como a ingestão de muitos líquidos para evitar a desidratação. O paracetamol pode ser utilizado para ajudar a baixar a febre e aliviar as dores no corpo. Os antibióticos não são eficazes no tratamento da gripe, uma vez que se trata de uma infeção causada por vírus.

Algumas pessoas apresentam maior risco de desenvolver complicações associadas à gripe e devem ter cuidados acrescidos, nomeadamente as pessoas com idade igual ou superior a 65 anos, as grávidas, as pessoas com doenças cardíacas, pulmonares ou diabetes, aquelas com imunidade baixa e as crianças cuja febre não passa ou se mantém elevada.

A vacinação contra a gripe continua a ser a melhor forma de proteção contra a doença. Mesmo quando não evita totalmente a infeção, contribui para que os sintomas sejam mais leves e reduz o risco de complicações, internamentos e morte, especialmente nos grupos mais vulneráveis.

Quando uma pessoa já tem gripe, é importante adotar medidas para evitar a transmissão aos outros. Deve usar máscara em locais fechados, lavar as mãos com frequência com água e sabão ou solução alcoólica, tapar a boca e o nariz ao tossir ou espirrar com o braço e não com a mão, evitar o contacto próximo com pessoas vulneráveis e permanecer em casa enquanto tiver febre ou mal-estar, evitando ir trabalhar, à escola ou a outros locais públicos.

Se surgirem sinais de agravamento da doença, como falta de ar, confusão ou sonolência anormal, dor no peito, febre que não cede ou que piora ao terceiro ou quarto dia de doença, ou sinais de desidratação, como urinar muito pouco, boca seca ou tonturas deve recorrer ao serviço de urgência para que possa garantir uma avaliação médica atempada e prevenir complicações.

Em caso de dúvidas, sintomas persistentes ou agravamento do estado de saúde, é importante não hesitar em procurar ajuda. O seu médico de família é o profissional indicado para esclarecer questões, orientar o tratamento e avaliar cada situação de forma individual. Informar-se, evitar a propagação da doença, cuidar de si e procurar apoio quando necessário são passos fundamentais para uma recuperação mais segura.

 

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