A Sociedade Filarmónica Fratelense reuniu em livro receitas e histórias dos almoços tradicionais da freguesia. A obra inédita é apresentada domingo.
A ideia de editar em livro as tradições e as receitas dos almoços tradicionais de Fratel não é nova, mas foi agora concretizada pela Sociedade Filarmónica de Educação e Beneficência Fratelense. O livro “Almoço no Fratel? Vamos lá! – gastronomia e tradições fratelenses” é apresentado no próximo dia 22, pelas 15H00, na sede daquela entidade.
A obra tem a coordenação de Maria do Carmo Sequeira (ex-presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão e responsável pela Sociedade Filarmónica) e da professora Ana Rosa Oliveira, tendo a colaboração de Célia Ribeiro, Paula Gonçalves e Paulo Santos.
Editado pela RVJ Editores, o livro pretende, como referem nesta obra Maria do Carmo Sequeira e Ana Rosa Oliveira, “recordar e reinventar algumas tradições e ao mesmo tempo fazer o convite para experimentar, confecionar e saborear algumas receitas que nos fazem crescer água na boca”. Para além disso, esta obra revive tradições, pois a cada almoço estão associadas histórias escritas por gente da terra, como José Nuno Martins, Camila Alvega, Leonor Inácio, José Duarte, Rosa Carmona, João Eduardo, António José Esteves, Paulo Santos, José Faia Correia, Ana Rosa Oliveira e Maria do Carmo Sequeira.
Depois do prefácio de José Sérvulo Correia, o livro recorda os almoços dos Santos, da Matança, do Natal, do Entrudo, de Amigos, da Páscoa, da Boda, da Peixada, das Malhas, dos Domingos, da Charneca ou das Festas. Refeições completas, com princípio, meio e fim. Nelas surgem pratos que fazem parte da história do Fratel, mas também de toda a região. Exemplos disso são o laburdo, os torresmos, o peru assado em forno de lenha, o bucho cozido, o galo guisado, a canja de cabeça de cabrito, as sopas da boda, as sopas de peixe, o arroz de cabidela de galinha ou os ovos mexidos com mioleira. Há ainda as pantufas, os peixinhos da hora e muitas outras iguarias, como os cagarrapos.
Além das receitas, o livro tem a particularidade de apresentar uma apreciação nutricional, elaborada pelas nutricionistas Inês Pinto e Joana Oliveira.
Luís Pereira, presidente da autarquia de Vila Velha de Ródão, refere, na nota de abertura deste livro, que “ estamos perante muito mais do que uma simples compilação de receitas tradicionais e das celebrações que lhes servem de mote. Num momento em que as consequências do envelhecimento da população e dos surtos migratórios rumo ao litoral ou às grandes cidades em busca de uma vida melhor são sentidas com particular acuidade, este livro surge como um repositório das memórias e das tradições de uma comunidade que urge preservar”.
No entender do autarca, “estas tradições são um elemento importante do património cultural e histórico do nosso território, pelo que a sua preservação através deste livro constituiu um motivo de alegria e um importante contributo para a construção da nossa memória coletiva, a qual passa inevitavelmente pelos sabores da nossa infância e pelas refeições partilhadas entre gerações”.
Para a realização desta obra, a Sociedade Filarmónica teve os apoios da Câmara de Vila Velha de Ródão e da Junta de Freguesia do Fratel.
Obrigada