Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Marrocos: Um país que não está em paz

Paula Reis - 20/08/2026 - 9:03

«A polícia manda parar todos os carros, menos os de turistas». Marrocos é um País de contrastes, entre as cidades industrializadas e ocidentalizadas e o país que existe fora do turismo, da indústria ocidental, das autoestradas.
Esse País está presente em comentários subtis acerca do número de palácios que o rei habita ou na criança que se abeira de nós para nos tentar vender uma erva do campo vulgar.
Se olharmos com atenção, rapidamente damos de caras com a pobreza dos trabalhadores, com o medo, com a exploração de um território para aplicar uma economia de salários baixos para produzir barato. Revi Portugal em muitos destes cenários, nos meios de produção em larga escala, com uma política de baixos salários e tentativas de aproveitamento quase ilimitado dos recursos naturais.
Há um par de semanas lia uma notícia acerca de uma autoestrada que vai ter o nome do presidente dos Estados Unidos. Terá um percurso ao longo da costa e ligará diretamente ao território ocupado do Saara onde será construído um Porto Atlântico para entrada em África. Este território ainda não foi reconhecido internacionalmente como parte de Marrocos, apesar da ocupação do território espanhol ter ocorrido nos anos setenta.
Cinco dias depois, milhares de pessoas, vindas de Marrocos, por incentivos de informações que correram nas redes sociais, entraram em Ceuta. Perto de uma centena delas morreu pelo caminho. 
Ouvindo os testemunhos recolhidos, ficou-me o de um jovem que dizia que queria fugir da pobreza e do medo. Tinha formação superior e emprego, mas pouca esperança de sair da pobreza no seu país. «E como foi a primavera árabe por aqui?». «O Rei concordou com ceder alguns poderes e castigou severamente alguns revoltosos que se escondiam no campo, numa área de montanha»
Tive a sorte de ter um guia, naquele País, que nos falou da vida de todos os dias, nos levou a sítios que não vêm nos guias, nos enquadrou na História e na Geografia.
Fiquei com a ideia de que não é um País em Paz.

COMENTÁRIOS