O "fim de ciclo" foi anunciado na primeira página do JF
A família do fundador do Jornal do Fundão vendeu a participação que tinha na empresa, deixando de ter responsabilidades no rumo do semanário fundado por António Paulouro há 72 anos.
A mudança foi anunciada na primeira página do jornal de 19 de abril, no mesmo espaço que António Paulouro escolheu em 1946 para dizer ao que vinha.
No texto intitulado “Fim de Ciclo”, as herdeiras Maria Teresa Paulouro, Maria José Paulouro e o antigo diretor Fernando Paulouro Neves anunciam que pela primeira vez “a família de António Paulouro deixará, com mágoa, de ter qualquer responsabilidade nos destinos do “Jornal do Fundão”, que configura um património inestimável na história da imprensa portuguesa. Terminou um ciclo”.
No texto passam em revista as causas a que o jornal se entregou em ditadura e democracia, os seis meses de silêncio impostos pela censura e o “universo fabuloso” de nomes que escreveram para as suas páginas.
O Jornal do Fundão faz parte do grupo Global Media, que tem títulos como o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, O Jogo e a rádio TSF, entre outros meios.
O grupo tem como presidente o advogado Daniel Proença de Carvalho, que é natural da Soalheira, no Fundão.
A família Paulouro vendeu em 1998 a maioria da sua participação à então Lusomundo, grupo que foi mudando de mãos até chegar à atual Global Media.
Fernando Paulouro Neves, que assumiu a direção do jornal após a morte de António Paulouro, deixou o lugar em 2012 durante a gestão da Controlinveste de Joaquim Oliveira, por alegadas interferências na gestão do rumo editorial do semanário.
Nesse mesmo ano o grupo fechou a Rádio Jornal do Fundão e Oliveira vendeu parte da sua participação na Controlinveste a investidores angolanos, dando origem à atual Globalmedia.
No ano passado a maioria do capital passou a ser detida por investidores de Macau.
Sobre o futuro do título regional pouco ou nada se sabe.
O Presidente da República saudou a família Paulouro na hora da saída.
Para Marcelo Rebelo de Sousa o Jornal do Fundão é um exemplo pelo “desassombro da sua atitude, sempre rebelde, sempre inconformista” e pela “verticalidade e pela independência face aos poderes instalados”.
Marcelo agradece à família Paulouro “o contributo inestimável que deu, ao longo de décadas, para a causa da liberdade e para uma cidadania mais livre, porque mais esclarecida e informada”.