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Mercados: À cautela...

Paula Reis - 23/04/2026 - 9:02

Há um sinal claro para todos que indica que todos os preços irão aumentar que é o aumento do preço do petróleo.

Num mundo globalizado, em que tudo o que consumimos e produzimos se faz transportar, em que ainda dependemos muito de combustíveis fósseis para uso de maquinaria agrícola ou industrial, em que a especialização e a produção intensiva dispersa por todo o planeta são a regra, uma subida generalizada do preço dos combustíveis significa uma subida generalizada do custo de vida.

A pergunta que fica por responder tem a ver com o facto de os mercados serem muito rápidos a reagir a ameaças (como guerras ou a hipótese de se fecharem canais de distribuição) e a desimpedimentos (situações de cessar-fogo) mas de essa rapidez só se refletir de igual forma na venda de combustíveis em Portugal, quando se trata das subidas.

Mais, sendo a concertação de preços expressamente proibida no país, para impedir que se restrinja a concorrência (sendo a lei da concorrência a mais amada para quem defende as leis da oferta e da procura isoladamente, como resposta a todas as questões da sociedade) pergunto-me como são quase nulas as diferenças de preços entre marcas e atualizadas com a precisão de um relógio suíço.

«Temos de ser cautelosos com a descida do preço dos combustíveis», dizia o chefe de governo por estes dias.

Será que não temos de ser mais cautelosos com o aumento da inflação? Com a diminuição do poder de compra? Com todas as práticas que, se não o são, parecem estar muito próximas de ser consideradas crime? Com a desconfiança dos consumidores? Com a descapitalização das famílias e empresas?

Qualquer português preocupado sabe que o ato de governar uma casa ou um país não é assim tão diferente. São ambos difíceis porque implicam decisões, muitas escolhas, muitas variáveis a ter em conta, uma definição de um cenário que se pretende como futuro, sem deixar de responder às questões e imprevistos do dia a dia.

Confesso que, por ter memória fresca das consequências da última grande crise financeira, não me parecem corretas a maior parte das decisões (ou falta delas) que vou observando no que toca à vida de todos os dias.

Não discordo do sentido de cautela do senhor Primeiro Ministro. Sei até que o bom senso mandaria que que se fizesse um pé de meia para «um dia de chuva», uma poupança que nos ajudasse em despesas inesperadas mas, infelizmente, a possibilidade de poupança dos portugueses é nula ou pequena e a de muitas empresas e instituições também.

Aguardemos, então, para ver que sentido de futuro nos vai ser apresentado por quem decide as nossas vidas, a ver se, pelo menos, ganhamos esperança.

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