Com uma sala cheia de alunos de nível secundário que me perguntava sobre a oportunidade que teriam de ficar na sua cidade a trabalhar, atirei esta pergunta porque me lembrei de uma empresa que, uns poucos anos antes, não se instalou na região porque não havia o número de trabalhadores qualificados de que precisava.
Trabalhar no serviço Publico de Emprego e Formação significa que as necessidades de mão-de-obra dos empregadores e as aspirações daqueles que irão integrar o mercado de trabalho não nos podem ser desconhecidas. E, para esta profissão, percebi que o velho estigma que afasta jovens e respetivas famílias da formação profissional se poderia esbater se o nome da profissão mudasse.
O desajustamento entre o que o mercado profissional oferece e as aprendizagens que os candidatos escolhem partem, muitas vezes, de um estigma, de desconhecimento da realidade, das condições oferecidas e daquelas que se imaginam.
Quantos de nós conhecem o ambiente fabril dos nossos dias?
Que perspetiva de evolução e manutenção no mercado podem ter empresas que não priorizem a qualidade, a inovação, a formação, uma política de recursos humanos justa?
Quem aplica o seu investimento no setor produtivo num País Europeu não pode continuar a pensar em salários baixos, mas sim em valor acrescentado ao que produz, por ter trabalhadores capacitados e motivados.
A Inteligência Artificial, aplicada a qualquer área do Mercado de Trabalho, só faz sentido com a utilização capacitada das suas possibilidades por parte de trabalhadores. Na área dos cuidados pessoais, o toque e o cuidado humano dificilmente poderá ser substituído, mas poderemos suprimir processos redundantes de gestão e burocracia desgastantes.
Por isso pergunto-me porque é que não investimos mais em aproximar trabalho e trabalhadores desde cedo, investindo muito mais em orientação profissional. E de que forma podemos incorporar em todos os ambientes de trabalho usos e aplicações (muitas vezes já desenvolvidos por instituições de ensino superior) que melhorem condições de trabalho e acrescentem o tão almejado valor acrescentado ao que é produzido.
A política do mercado de trabalho, na região e no País, deveria ser a de fazer encontrar e interligar todas as partes interessadas, de forma sistemática e operacional e não a de partir do princípio de que cada um dos intervenientes tem um lado da barricada a defender, sem procurar pontos de encontro que possam construir um verdadeiro sistema.