A guerra na Ucrânia, está a tornar-se numa luta pela hegemonia mundial. Como o poder tem horror ao vazio, os protagonistas desta guerra estão ávidos, por tentar ocupar todos espaços vazios. A guerra na Ucrânia só veio a evidenciou esta realidade. Demonstrar ao vivo a feroz luta pela hegemonia global. Se as grandes potências mundiais não abrem mãos do seu imenso poder no mundo, agora são também os grupos informais - que estas já dominam, os BRIGS e o G7 – que acolhem no seu seio uma grande massa da população mundial que já se perfilam.
A guerra na Ucrânia, como se tem verificado, tem despertado no velho G7 um assinalável protagonismo, nomeadamente na coordenação das sanções à Rússia e ainda nos múltiplos apoios à Ucrânia.
Mas afinal, que vem a ser este grupo denominado G7? Teremos que recuar aos anos setenta para recordar que este conjunto de países que se encontravam na altura já com elevada industrialização, foram afectados pelo célebre choque petrolífero de 1973 e, segundo o investigador José Pedro Fernandes, “reflecte a tradicional hierarquia de poder da segunda metade do século XX”.
No seu seio, encontravam-se países como os Estados Unidos da América, o Japão, a França, a Alemanha, o Reino Unido e a Itália. O seu Produto Interno Bruto representava no mundo, cerca de 50% da riqueza mundial. Como se sabe, a economia política global tem sido influenciada por este conjunto de países, detentores de uma grande parte da riqueza mundial.
Em oposição a este grupo de países, perfila-se na economia mundial o denominado Grupo dos BRIGS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul só desde 2010. Este poderoso grupo de países, como se sabe, surgiu já em pleno séc. XXI, como sendo alternativo ao G7. Trata-se de economias emergentes que também querem fazer ouvir a sua voz, no concerto da política económica mundial.
A criação da sigla deste grupo alternativo e informal, não sendo sobretudo política, teve antes a ver com a necessidade de se juntarem as vontades de alguns países de economias emergentes que queriam atrair para si grandes investimentos a fim de se poderem desenvolver e expandir economicamente.
Se a informalidade foi o seu arranque, à medida que o tempo avança, têm demonstrado, dentro da informalidade, uma grande vontade de se manterem unidos e estabelecerem, entre si, relações permanentes e ambições comuns políticas e económicas.
Na sua predominância geográfica podemos verificar que eles englobam a Ásia, a África e a América Latina, uma vasta região do globo, repleta de futuro.
Assim poderemos compreender melhor as posições, por vezes ambíguas e cautelosas do Brasil e da China, face à famigerada guerra na Ucrânia que já ultrapassa mais de um ano. Lembremos as declarações polémicas do Presidente do Brasil o lutador Lula quando, recentemente, visitou oficialmente no nosso país, no 24 de Abril, a Festa dos Cravos libertadores da ditadura.
Face ao G7 e aos BRICS, aparece-nos um caso muito especial, neste panorama mundial, o caso excepcional da potência Russa. Um caso em aberto a ser estudado cuidadosamente após a guerra que declarou injustamente à martirizada Ucrânia, ao arrepio do direito mundial.
Como sabemos, após a dissolução da Rússia após 1990, com a queda do Muro de Berlim em 1989, e o triunfo do Ocidente após a longa Guerra - Fria, a estratégia do Ocidente foi a de tentar incorporar no seu seio os seus satélites e a Rússia nas suas instituições da ordem internacional liberal. Foi nesse contexto que a Rússia foi convidada a participar nas reuniões do G7, sendo incluía como membro do grupo, transformando o G7 no G8. Após a anexação da Crimeia em 2014, o Ocidente condenou tal conquista e a Rússia acabou por se retirar do Grupo. A partir daqui, o seu isolamento mundial conheceu o ostracismo do Ocidente que se tem vindo a manifestar na União da maioria dos países do mundo contra a sua invasão da Ucrânia. Assim se encontra, em grande parte, a Rússia muito isolada na cena mundial.
Para já, coexistem neste momento a nível mundial o autoritarismo da Rússia e da China e as democracias da Índia, Brasil e África do Sul. O final da guerra na Ucrânia poderá ditar uma nova ordem mundial? Nada nos garante que o G7/Ocidente tenha continuidade na sua supremacia no mundo do século XXI. A ver vamos.