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O descalabro do Wokismo

António Oliveira - 08/04/2026 - 15:26

As pessoas estão mais atentas e informadas, não suportam incongruências, pretendem soluções, não querem retóricas supostamente moralistas vazias de conteúdo, típicas de quem vive longe da realidade.

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O resultado das eleições de maio de 2025 não foi um acidente de percurso. Foi, acima de tudo, um murro no estômago que muitos preferiram ignorar até à última contagem de votos. Portugal assistiu à derrota de uma agenda cultural que se tornou insensata, de regras de linguagem que ninguém pediu e de uma obsessão em rever a história que poucos compreendem. A chamada ideologia “woke”, ao trocar o bem comum pela vigilância de condutas, ergueu um muro entre as elites de esquerda e o cidadão comum. O desfecho era previsível: um divórcio amargo entre quem decide nos partidos e quem vive a vida real, fora da bolha política.
O PS acabou por pagar a fatura mais pesada. Cair para terceira força política na Assembleia da República não é um detalhe — é um marco histórico que não admite panos quentes. Nos últimos anos, o partido deixou-se sequestrar por uma fação radical, perdida em debates identitários que podem apaixonar quem circula pelos corredores das faculdades da área das Ciências Sociais, mas que não pagam a renda dos que vivem em Lisboa, no Porto ou em Braga. O erro foi elementar. Ao falar apenas para a sua própria bolha, o PS desligou-se da classe média que vive de salários curtos e preocupações longas.
Como na política não há espaços vazios, o CHEGA limitou-se a ocupar o terreno abandonado. Os 60 deputados do partido liderado por André Ventura não se explicam apenas pelo mérito do líder, mas sim pela arrogância de uma esquerda que se habituou a rotular de "fóbico" qualquer cidadão que tivesse dúvidas sobre as novas cartilhas culturais. Quando a esquerda virou as costas à segurança e ao custo de vida, entregou o eleitorado, de bandeja, à direita nacionalista e conservadora.
À esquerda do PS, o cenário é de desolação. O PCP, preso a um saudosismo soviético e a uma ortodoxia ideológica vetusta, continua o seu declínio lento mas constante. Já o BE e o LIVRE parecem condenados a ser partidos de nicho, confinados a um eleitorado universitário de valor quantitativo reduzido e residente nos grandes centros urbanos. Com expressões eleitorais curtas, estes dois partidos tornaram-se irrelevantes para qualquer solução de governo ou de reforma legislativa séria. Pela primeira vez em cinquenta anos de democracia, a esquerda junta não chega sequer a um terço dos deputados presentes no hemiciclo de São Bento. Se isto não é um descalabro, não sei o que será.
Se a esquerda quer mesmo voltar a contar para o país, tem de inverter prioridades e alterar estratégias. É tempo de parar de importar conceitos abstratos e de escrutinar o que nos diferencia. O foco tem de regressar ao quotidiano, nomeadamente aos salários baixos, à habitação com pouca oferta e cara, aos serviços públicos degradados, à precariedade de emprego, etc. Mas só isso não chega. Também é preciso alterar atitudes e hábitos há muito enraizados e voltar a aprender a ouvir, a conviver com o contraditório e a valorizar o que nos une como portugueses. Saber ouvir passou a ser mais urgente do que julgar. Silenciar quem tem dúvidas ou pensa diferente já não funciona.
O eleitorado de 2026 já não se assusta com os rótulos de "extrema-direita", “fascista” ou de outros epítetos velhos e gastos, os quais a esquerda usou e abusou com sucesso no passado. O tempo dos chavões acabou. As pessoas atualmente estão mais atentas e informadas, não suportam incongruências, pretendem soluções, não querem retóricas supostamente moralistas vazias de conteúdo, típicas de quem vive longe da realidade. A esquerda necessita de olhar para dentro de si com seriedade, reconhecer os seus erros e retirar as devidas conclusões. Caso este processo introspetivo não seja realizado facilmente serão repetidos os mesmos erros no futuro próximo, o que irá contribuir para a progressão do ciclo da irrelevância crescente. É urgente recuperar o sentido prático e o foco no que é comum a todos, a fim de evitar correr o risco de ser apenas um ruído de fundo, irrelevante, pretensioso e ignorado no panorama político nacional.

 

COMENTÁRIOS

JMarques
Este ano
COSTA = Coveiro do PS:
Politicas de habitação contrárias ao interesse de quem realmente precisa de casa e não ao encontro dos interesses dos especuladores, fundos de investimento, hotéis e alojamentos locais.
Politicas de imigração de portas abertas/escancaradas e sem qualquer controlo, nomeadamente sobre o cadastro criminal.
Degradação escandalosa de todos os serviços públicos.
Falta de investimento público em todos os setores, incluindo os transportes públicos, com principal incidência e despudor na ferrovia, infraestrutura e material circulante.
Negação da insegurança.
Etc.
JMarques
Este ano
COSTA = Malfeitorias:
Abriu/escancarou as portas a mais 1 milhão de imigrantes, mas esqueceu-se de reforçar os serviços públicos na mesma proporção (10%), nomeadamente na saúde, educação, nos transportes públicos, onde é um escândalo/massacre.
Depois de todas estas malfeitorias que fez ao país, deveria estar preso, foi recompensado com um BELO EMPREGO/ORDENADO EM BRUXELAS.