No início dos anos 90, Idanha-a-Nova percebeu que o seu processo de desenvolvimento, assente numa agricultura arcaica, se estava a esgotar.
Impunha-se reformular o modo de produção agrícola mas sobretudo encontrar novos eixos de actividade que conduzissem o Concelho à sua sustentabilidade.
Respondendo a um desafio governamental foram criadas condições para Idanha enveredar pela aposta na Educação. Foi uma estratégia ousada e que antecipou caminhos que outros haviam de percorrer.
Sob a liderança da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova foi proposta a criação dum polo do Instituto Politécnico de C. Branco (IPCB) porque a capital do distrito não tinha condições para essa aposta. Foi assim criado ensino superior em Idanha, facto inovador no contexto regional e nacional.
Não é frequente encontrar uma Vila, que nunca quis ser cidade, que naquela altura tivesse todos os graus de ensino público.
A Câmara ofereceu condições, irrecusáveis, que se mantêm, através de subsídios para o funcionamento e investimento. A Vila adaptou-se e progressivamente fez incorporar no seu modo de vida o polo, entretanto transformado em Escola autónoma (ESGIN).Foi uma alteração da face do concelho raiano, quer em termos educativos, culturais, sociais e económicos. O IPCB, por sua vez, ganhou dimensão, criou novas raízes, competências e descentralizou-se para passar a ter dimensão regional.
A ESGIN foi-se afirmando com mais alunos, nacionais e estrangeiros, com vida própria da população estudantil, corpo docente e funcionários e com o despertar dum dinamismo que transborda para a actividade económica.
De Escola autónoma somos agora confrontados com uma proposta, em segredo, para que a ESGIN passe ao que já foi inicialmente, um polo dependente de outra Escola. Passará a ser um aglomerado de salas de aulas.
É um retrocesso. De Politécnico de região passa a ser só duma cidade, de descentralizado passa a concentrador, de 6 Escolas passa a 4. De amigo das autarquias a conflito com uma delas.
Em suma, em nome duma reorganização, leia-se emagrecimento, o IPCB reduz a sua ambição, torna-se menor, mais débil, definha.
Percebo mal que se reivindique mais descentralização para o interior, se combatam as portagens na A23, se defenda a manutenção de agências bancárias públicas, estações dos CTT e outros organismos e o IPCB faça o trajecto inverso.
O meu apelo aos órgãos directivos para que alarguem a discussão aos autarcas, ex presidentes do IPCB, comunidade em geral e cedo verificação que é um erro o que se projecta. Revelam inteligência se o rectificarem.
Aos deputados para que tomem posição sobre este recuo centralizador que dizem contrariar.
O IPCB deveria voltar a sua atenção para discutir o seu futuro em articulação com Politécnicos vizinhos e UBI. Combinar dispersão de cursos que promovam a especialização e não sobreposição de oferta regional. Tenho suficiente experiência de vida e política para perceber que esta proposta é um passo que pode levar a um fim, que não desejo, morte do Ensino Superior em Idanha.
Por isso gostaria de conhecer o estudo desta dita reestruturação, seus objectivos, vantagens do novo modelo designadamente custos de transferências de cursos e até eventuais reduções de concentração.
Pergunto porque é que a ESGIN se tem de se integrar noutra escola e não o contrário? Por redução de custos não é porque a Câmara local suporta, quer os de funcionamento quer os de estrutura. O que seria para o IPCB se este financiamento terminasse?
Deixo um conjunto de questões, para debate alargado, que espero que se promova na defesa da Região, do Politécnico e de Idanha.