E sta semana esta ficou marcada pelo início das aulas nas várias escolas do ensino básico e secundário, tendo igualmente sido publicada a lista de alunos colocados no ensino superior público, o qual se aproxima do número de alunos inscritos de há cinco anos, depois de nos últimos anos ter verificado uma tendência de descida.
Para os pais, o mês de Setembro é um dos mais complicados financeiramente, tendo que suportar o impacto das despesas escolares, as quais, para uma família com dois filhos no ensino básico, facilmente se aproximam do ordenado mínimo nacional.
Cada vez mais famílias optam por férias mais modestas para poder alocar o rendimento do subsídio de férias à satisfação das necessidades escolares dos seus filhos. Outra solução tem sido a possibilidade de compra a crédito do material escolar, de modo a não sobrecarregar o orçamento familiar apenas no mês de Setembro.
Para aqueles que entram numa nova fase dos seus estudos, inscrevendo-se num curso superior, para além das despesas em livros acrescem os custos com deslocações, rendas e propinas, sendo estas mais um peso mensal no orçamento familiar na esperança que daqui a três ou cinco anos este investimento se traduza num emprego bem remunerado.
Contudo, a Educação não é apenas um investimento com retorno individual, tem de ser um investimento coletivo com o intuito de responder aos desafios sociais, formando indivíduos competentes tecnicamente e cidadãos preocupados e interessados em melhorar a nossa vida em sociedade.
É verdade que a educação formal se reinicia todos os meses de Setembro, mas a educação para a cidadania deve estar presente todos os dias na vida dos alunos e dos seus familiares, porque de nada nos valerá formar excelentes profissionais numa sociedade sem princípios nem valores.
Mas os princípios não podem simplesmente ser ditados ou rezados para uma audiência de jovens. A aprendizagem da vivência coletiva é responsabilidade de todos nós e cada um deve dar o seu exemplo às gerações mais novas, porque é através do exemplo que os nossos princípios se perpetuam.
Segundo a UNESCO a educação deve ir para além do ambiente formal das escolas, compreendendo processos de aprendizagem para a vida em sociedade, sem a obtenção de graus, diplomas ou títulos. A educação que molda o caráter dos indivíduos é aquela que se desenvolve em ambiente social, junto da família, no trabalho, nos círculos sociais ou afetivos.
É através das ações que os princípios se materializam e é através dos exemplos que os valores são apreendidos pelas gerações futuras. De nada nos vale criticar o desleixo, a irresponsabilidade ou o egoísmo dos mais jovens, porque apenas os seus pedagogos lhes podem ter passado esses exemplos. O comportamento das gerações futuras é a herança cultural que os mais velhos lhes deixaram.
Não defendo a maior relevância da educação informal face à educação formal, mas acredito que não se pode esperar dos professores que ensinem tudo aos seus alunos, incluindo como viver respeitando e tolerando as diferenças religiosas, ideológicas, cultuais ou até clubísticas dos outros.
Mais do que um teste, um exame ou um curso, a sustentabilidade da nossa cultura e da nossa vida social reside na educação dos mais jovens e do que lhes ensinamos a respeitar e valorizar, pelo que cada um de nós é um pedagogo para as gerações futuras.
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