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O mercado e os preços. Da invenção à comercialização

Luis Beato Nunes - 03/01/2019 - 9:29

A última e a primeira semana do ano são sempre das mais agitadas nos aeroportos um pouco por todo o mundo, seja devido às reuniões familiares pelo Natal, seja pelas festas entre amigos e também com a família, durante a passagem de ano.
Devido ao curto espaço de tempo que medeia entre as duas festividades e ao facto de muitas famílias optarem por reduzir as distâncias que se fazem sentir durante o resto do ano numa ou noutra data do calendário, este acaba por ser um período de grande frenesim no que se refere aos transportes.  
Adicionalmente, há destinos que se tornaram moda internacional para a passagem de ano, competindo por turistas receosos que o mundo acabe sem terem experimentado passar o último dia do ano num sítio sempre diferente.
Porém, a facilidade com que hoje o “longe” se faz “perto” e acessível a quase todas as famílias, não foi algo que se tivesse seguido imediatamente à invenção do avião pelos irmãos Wright em 1903. 
O próprio crédito do primeiro voo controlado e realizado numa máquina mais pesada do que o ar é um tópico envolto em alguma controversa, uma vez que antes de 1903 vários inventores de diferentes países, como Clément Ader, da França, ou Santos Dumont, do Brasil, afirmaram ter efetuado semelhante voo.      
Mas, referia que a massificação dos voos foi algo apenas possível a partir do final de 1935 com a produção do “Dakota” DC-3, um avião com dois motores Pratt & Whitney e um peso bruto de 12.200 kg.
O “Dakota” DC-3, fabricado pela McDonald Douglas, podia levar até 32 passageiros, tendo sido concebido como um luxuoso avião comercial que até oferecia camas para os seus passageiros.
Este foi o primeiro avião a ser comercializável, tendo começado por ser utilizado pela American Airlines nos voos entre Nova Iorque e Chicago. Em 1938 era já o avião preferido das, ainda, poucas companhias aéreas, e a II Guerra Mundial impulsionou a sua produção.
Foram produzidos vários milhares de DC-3, encontrando-se algumas centenas ainda activos, sobretudo devido à sua resistência, extraordinária aerodinâmica e fácil reparação mecânica, devido à abundância de peças.
 Os dois primeiros aviões adquiridos pela TAP foram dois DC-3, em 1945, fazendo a ligação Lisboa-Madrid. A companhia aérea portuguesa chegou a ter 8 unidades destes aviões, tendo o último voado em 1959.   
Como escreveu Fernando Pessoa em Mensagem, “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, mas para garantir a comercialização, ou massificação de uma invenção, é necessário mais do que “sonhar”.
É necessário haver um mercado, ou seja, é necessário que o produto “sonhado” esteja disponível para quem lhe possa dar uso e, para isso, não basta que o produto seja de qualidade, é também importante que seja possível produzi-lo em massa.
E, claro, essa produção em massa deve refletir-se num custo médio unitário cada vez mais baixo, maximizando o número de potenciais compradores e minimizando os custos por cada unidade produzida para o “sonhador”.    
Numa época em que se voltou a abordar a possibilidade da comercialização de viagens espaciais e em que o setor dos transportes se reinventa com veículos mais rápidos e mais seguros, é importante não esquecer que se “o sonho comanda a vida”, o plano de negócios ainda define quais os “sonhos” que podem ganhar “vida”.

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