Na próxima semana, mais um mês de agosto chegará ao fim, assim como o verão se despedirá de nós em setembro, pelo menos no calendário, uma vez que as temperaturas já nos habituaram a um natural prolongamento desta estação durante o último trimestre do ano.
Este mês de agosto acabou por ser mais um mês de reencontros e férias em família, num país onde a emigração recente reforçou a importância destes momentos do ano em que as famílias se reúnem durante duas ou três semanas em muitas das vilas e aldeias que viram partir os seus filhos.
Em muitas freguesias e concelhos do interior, as novidades da França, do Luxemburgo ou da Suíça tornam-se facilmente o principal tema de conversa, ao mesmo tempo que o francês substitui momentaneamente o português, como a língua mais falada.
As praias fluviais, as feiras gastronómicas e os “eventos medievais”, tentam cativar as populações do interior a passar as férias nos seus locais de residência, ao mesmo tempo que atraem os filhos emigrantes a ficarem um pouco mais de tempo nas suas terras de origem.
Este mês os incêndios não foram tão cruéis como em anos anteriores, especialmente o ano passado em que por esta altura a Beira Baixa lutava com um fogo na Serra da Gardunha, depois de o país inteiro se ter sobressaltado com a catástrofe nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra.
Apesar de mais tranquilo, o país continua a lamentar-se todos os anos de incêndios que destroem a vida, a paisagem e a economia das freguesias por onde passam, como aconteceu este ano em Monchique.
Ainda falta alguma sensibilização e, sobretudo, estratégia para poder dizer que “qualquer hectare ardido, poderia e deveria ter sido evitado”, mas, pelo menos, este ano as condições meteorológicas foram brandas, camuflando a falta de atenção das autoridades nacionais para esta questão.
Na imprensa nacional, é difícil escapar à silly season com mais de metade dos portugueses de férias entre julho e agosto, incluindo importantes fontes de notícias, como os tribunais e a Assembleia da República, o que mudará em setembro com o regresso dos “casos”, das “picardias” e da retórica espampanante.
Ao contrário de anos anteriores, neste mês de agosto a silly season parece ter-se misturado com o início na nova época futebolística, com a continuação das tristes excentricidades que ameaçam consumir um dos clubes históricos nacionais. De resto, este fim-de-semana tudo ficará mais sério com o primeiro derby e clássico da temporada.
Na próxima semana mais um mês de agosto terá passado com tudo o de “bom” e “menos bom” que esta altura do ano nos traz. As férias, o reencontro com os familiares emigrados, as festas de verão e as feiras que revitalizam as aldeias e vilas do interior.
O calor, esse começará a despedir-se em setembro, mês das primeiras vindimas que contribuirão para o néctar que nos ajudará a viver mais um ano nesta rotina nacional onde a seriedade e a ebriedade são de difícil distinção.
Enfim, para o ano haverá mais um mês de agosto de convívio e de descanso, de viagens e de descobertas, de festas, reencontros e novas amizades. Um mês onde a seriedade esquizofrénica do resto do ano dá lugar a alguma genuinidade.
[email protected]