Realizado desde 2010 em Dublin, na Irlanda, o maior encontro internacional para start-ups tecnológicas, investidores, empreendedores e criativos, termina hoje em Lisboa, cidade que acolherá este evento pelo menos durante os próximos três anos, contando com inúmeras conferências e workshops com mais de 50.000 participantes entre estudantes universitários, investigadores, empresários, investidores e várias empresas portuguesas e internacionais.
A primeira edição da Web Summit contou com apenas 400 pessoas, tendo sido organizada pelo atual presidente executivo da Global Web Summit, o irlandês Paddy Cosgrave, mas o sucesso da organização e o interesse dos investidores pelo sector das novas tecnologias catapultou este evento para um dos principais acontecimentos do ano e logo com palco em Portugal.
Independentemente dos retornos imediatamente mensuráveis este é um encontro que cria condições para que empresários e investidores discutam ideias de negócios e desenvolvam projetos que, de outra forma, nunca sairiam do papel, mas também é relevante recordar que um pouco por todo o país há já várias dezenas de incubadoras de empresas que têm auxiliado a criação de novos negócios.
Em Castelo Branco temos o Centro de Empresas Inovadoras (CEI), o qual proporciona às potenciais empresas acesso à internet, escritórios, sede fiscal, receção de correio, salas de reunião, workshops e um conjunto de outros serviços a preços reduzidos.
Porém, mais do que espaços onde os empreendedores se reúnem sem pagar renda, ou mais do que consultoria estratégica e serviços contabilísticos e fiscais, estes centros de incubação espalhados um pouco por todo o país devem olhar para o modelo da Web Summit e tentar replicá-lo, numa tentativa de encontrar investidores para os projetos incubados.
É verdade que os serviços contabilísticos e fiscais são importantes para as novas empresas e também é verdade que a possibilidade de usufruir de um espaço sem pagar renda é fundamental para minimizar os custos fixos iniciais de um negócio, mas o mais importante para os empresários é poderem vender as suas ideias e o seu negócio a potenciais investidores.
A maioria dos centros de incubação de empresas do país não tem qualquer apoio comercial aos seus clientes, não os coloca em contacto com investidores, não financia viagens a exposições internacionais, não promove a divulgação dos produtos ou serviços para potenciais investidores nacionais ou internacionais, não mitiga os riscos financeiros dos empreendedores e não lhes presta apoio jurídico no registo de patentes.
Na última década vendeu-se a ideia de que o país precisava de empreendedores e para reforçar esta ideia criaram-se dezenas de centros de incubação de empresas, uns com mais meios do que outros, mas os serviços prestados por estes centros continuam aquém das expectativas vendidas, porque poucos têm a capacidade ou dimensão para colocar em contacto os empreendedores e potenciais investidores e esta deveria ser a sua principal missão.
Enfim, não retirando o mérito ao trabalho realizado pelos centros de incubação no apoio a novas ideias de negócios, a sua principal mais-valia ainda está por explorar, uma vez que não será por falta de espaço ou consultoria que os empreendedores desenvolverão os seus projetos, mas seguramente será por falta de capital e de investidores que potenciais negócios se deixarão de realizar.