O trabalho faz parte da condição humana. Trabalha-se não só para contribuir para a subsistência da família mas, também, para dar dignidade à vida humana. Não é por acaso que, quando numa família ocorre o flagelo do desemprego, a pessoa directamente atingida se sente amputada de algo que lhe conferia valor e que, agora, a torna diminuída a seus próprios olhos e aos olhos dos outros. É pelo trabalho que a acção transformadora do homem se faz sentir sobre a natureza e sobre si próprio. O trabalho possibilita que a capacidade criadora da humanidade se exteriorize e contribua para a valorizar.
Por isso, ensinar aos filhos quanto o trabalho representa para as suas vidas e para o progresso da humanidade, é tarefa importante que incumbe aos pais. E essa importância, como se disse, não se resume à mera subsistência económica. Ela contribui para que a pessoa se sinta útil na construção do bem comum.
Ora, o estudo é o principal trabalho que os filhos adolescentes têm pela frente. E trabalhar significa ser-se responsável naquilo que se faz e fazê-lo da melhor maneira. Estas duas atribuições do bom trabalhador, se aplicadas ao estudante, significariam que ele deveria dedicar-se ao estudo como se de um trabalhador se tratasse. Quando se dirigisse para a escola ou, em casa, fosse estudar diria, então, “vou trabalhar!”.
Mas, tal como para um trabalhador, o estudo, como trabalho, deve ter um sentido. Se muitas pessoas trabalham apenas para ganhar dinheiro, outras há que vêem no trabalho que realizam algo, para além do dinheiro que auferem, que as satisfaz, tornando-as co-participantes na construção de uma sociedade melhor.
De igual modo, o estudante, não tendo uma gratificação imediata, verá no seu trabalho um instrumento que lhe permitirá vir auferir uma remuneração futura. Mas, igualmente, com o seu estudo, poder contribuir para a realização de um mundo mais desenvolvido e com menos desigualdades. Este sentido do trabalho, aplicado ao estudo, talvez pudesse motivar muitos dos alunos que, frequentando a escola, se sentem perdidos no meio das matérias que lhes são ministradas e das quais eles não entendem o seu significado. Explicar-lhes por que as estudam e por que estudam talvez ajudasse a fazer deles melhores estudantes mas, também, melhores cidadãos. E como ao trabalho se associa o repouso, tentemos, então, neste mês de Agosto, ter o descanso devido mas, já agora, também com sentido. Até Setembro!