Gerd Leonhard é um alemão que nasceu em 1961 e que actualmente faz conferências e dá consultoria a grandes empresas na área dos media. Ele escreve e fala sobre as mudanças na área da produção e do mercado mediático. Foi considerado em 2015 como uma das cem pessoas mais influentes na Europa e o seu trabalho concentra-se sobre o futuro da humanidade e da tecnologia, da ética digital, da inteligência artificial. Nas suas conferências aborda temas como o que significa ser-se humano num mundo de máquinas e algoritmos, do futuro do trabalho e do emprego… Numa entrevista, Gerd Leonhard disse que as pessoas mais sozinhas do mundo estavam nas redes sociais. E explicou que quando nos conectamos em demasia, estamos a caminhar para o isolamento ou para a solidão ou para ambos.
“Isolamento” e “solidão” sendo, por vezes, usadas como palavras sinónimas, elas traduzem estados diferentes. Enquanto que o isolamento surge em situações em que uma pessoa não tem (ou não quer) outras com quem interagir, a solidão é a experiência subjectiva de angústia por não ter com quem se relacionar. Por isso, uma pessoa pode estar só sem que sinta a solidão. Ora, o uso excessivo das redes sociais pode levar ao isolamento mas, também, à solidão. Elas, ao contrário do que se pensava na altura em que se iniciou a sua utilização, podem não contribuir para melhorar a nossa qualidade de vida relacional. Gerd Leonhard chega mesmo a dizer que o “facebook foi criado para ser um vício”.
Por outro lado, há o ciberbullying, já referido nesta coluna, em que adolescentes, através das redes sociais, podem ser vítimas de violência psicológica, com efeitos altamente nefastos. Segundo um artigo da revista “Visão” de Março deste ano, os jovens entre os 15 e os 29 anos exigem especial atenção, já que o suicídio é a segunda principal causa de morte nesta faixa etária.
As relações sociais são, pois, um pilar da felicidade. É certo que a comunicação através de plataformas digitais permite-nos construir uma comunidade; no entanto, elas não são substitutas de uma rede face a face. Se esta rede não existir, as de natureza digital poderão, então, ter um efeito negativo, para o qual os pais deverão estar despertos.