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Pais em tempos de crise: A educação positiva

Mário Freire - 08/08/2019 - 9:48

Uma parte significativa dos especialistas da educação defende a chamada educação positiva. A benevolência, o respeito pelo ritmo e necessidades da criança, a empatia são princípios defendidos por esta educação. Catherine Guéguen, pediatra, autora de livros sobre educação positiva, rejeita toda a violência e integra este modelo educacional nos princípios da psicologia humanista.
Os mais cépticos estão preocupados com essa nova ideologia do filho-rei. Curvar-se aos menores desejos dos nossos filhos é realmente ajudá-los a crescer e a construírem-se, interrogam-se estes pais. As crianças precisam de amor e carinho, concordam eles, mas também precisam de referências, limites ... e às vezes de uma autoridade firme. 
Ora, há que advertir contra as visões caricaturais que se fazem da educação positiva. Ela não é permissiva mas democrática. Trata-se de encontrar o equilíbrio certo entre um sistema autoritário, em que tudo é focado nas necessidades dos pais e uma educação onde tudo é focado nas necessidades da criança. Ela é, antes de tudo, uma arte de compromisso. 
“Existem diferentes maneiras de limitar os excessos de uma criança. Primeiro, existe a proibição explícita, antes dos 3-4 anos. Não há necessidade de gritar, mas afirmar o proibido ou desviar-lhe a atenção para outro objecto”. Depois dessa idade, diz a pediatra atrás referida, há que começar a explicar-lhe as regras de maneira que ela as entenda, de um modo consistente, transparente e paciente. 
“A educação positiva nada tem de laxista”, continua a pediatra. Nela, o adulto deve desempenhar o seu papel, transmitindo valores à criança sem, no entanto, recorrer à violência, quer psicológica, quer física. A primeira traduzir-se-ia em humilhá-la, minimizar as suas competências, “descarregar” as nossas más disposições sobre ela, desvalorizá-la, dar-lhe uma imagem ruim de si mesma, ameaçá-la, chantageá-la…. 
Quanto à violência física, os estudos feitos apontam todos na mesma direcção: a nível do comportamento, é inútil, não contribuindo para o modificar; a nível neurológico, origina danos, a longo prazo, sob o ponto de vista neuronal; a nível emocional, é um forte perturbador das respostas afectivas a curto, médio e longo prazos.
Enfim, educar de uma maneira positiva é, fundamentalmente, uma tarefa de bom senso, em que a criança não deixada largada a si própria, consiga ter nos pais não só aquelas balizas que a amparem nos seus revezes e excessos mas que a incentivem, pelo exemplo e pela palavra, na prática do bem, do bom e do belo.
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