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Pais em tempos de crises: A autoridade e a obediência na família

Mário Freire - 15/12/2016 - 10:45

Para que uma sociedade funcione adequadamente, têm que haver pessoas mais responsáveis, de onde emanam as principais directrizes e outras que terão de segui-las, que obedeçam. Acontece isto no Governo de um país, mas também numa instituição pública, numa empresa, numa escola…
Ora, a família é a primeira instituição da sociedade e para que ela esteja organizada, não pode fugir às leis do mando e da obediência. Claro que o poder principal reside nos pais; é deles que saem as regras que orientam a relação dentro do lar. Pai e mãe, considerando a família tradicional, têm igual estatuto embora, cada um, dentro da sua especificidade no lar, estará mais apto a tomar melhores decisões num campo do que noutro. Ambos, no entanto, terão que conciliar-se de modo a não haver atropelos no que se refere à autoridade que cada um mostra perante os filhos. Uma primeira consequência desta conciliação entre os papéis de marido e mulher é que os filhos não sintam qualquer contradição entre o que o pai manda ou aceita e o que a mãe manda ou aceita. Terá que haver um acordo entre eles naquilo que se refere às regras básicas estabelecidas em relação aos filhos. Depois, há que ser claro nas determinações que se estabelecem e não impor muitas regras. A abundância destas conduz ao seu não cumprimento. 
Por outro lado, ser transigente nas pequenas coisas (por ex., adiar uma tarefa por uma hora, no fim de semana, para que os filhos vejam um programa de televisão que lhes interessa) não diminui a autoridade do pai ou da mãe. Como diz o pedagogo Jorge Loring, em toda a pedagogia familiar vale mais ganhar uma batalha importante do que cem escaramuças sem importância.  A autoridade é um poder que os outros atribuem a alguém, por este possuir as competências adequadas. Nem todos os que têm poder têm autoridade. A autoridade nasce das capacidades, do bom senso, do conhecimento e da coerência que se possui e isso faz com que os outros, dependentes dessa autoridade, naturalmente, sem constrangimentos, lhe obedeçam.
Pais com autoridade são aqueles que não necessitam de gritar, de humilhar os filhos para que eles cumpram as regras. Estas, perante certas circunstâncias, devidamente justificadas, poderão ser alteradas. É neste equilíbrio entre a compreensão e a não transigência na ultrapassagem de certos limites que se forja a autoridade dos pais. Estes não podem ser os camaradas dos filhos mas sim aquelas traves-mestras, sólidas, a quem eles se encostam quando se sentem frágeis e recorrem perante as dificuldades, nunca as desrespeitando. 
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