Catherine Guéguen é uma pediatra especializada no apoio à parentalidade. Ela publicou no ano passado um livro cujo título poderia traduzir-se por “Felizes por aprender na escola. Como as neurociências afectivas e sociais podem mudar a educação” (Les Arènes/Robert Laffont, 2018), centrando-se o livro na importância da empatia na educação, quer no seio familiar, quer no ambiente escolar.
A empatia refere-se à capacidade de uma pessoa se colocar no lugar da outra. Para isso, é preciso ultrapassar a barreira do preconceito, do medo do que é desconhecido ou diferente e retirar a atenção dos seus próprios problemas para se focar na outra pessoa. Quantas vezes esta última circunstância, devido aos acontecimentos difíceis do dia, tornam os pais pouco receptivos a ouvir os seus filhos!
Catherine Guéguen diz que o educador empático, pai, mãe ou professor, é a pessoa que vai ajudar a criança ou adolescente a exprimir o que sente, oferecendo-lhe toda uma gama de emoções: “Estás triste? Irritado? Sentes-te desamparado?…” Tenta-se, assim, aliviar as tensões da criança ou adolescente, dando-lhes a oportunidade para eles dizerem o que os preocupa. Esta atitude é o que a pediatra chama de ‘solicitude empática’.
Ora, esta disposição empática que uma criança recebe, segundo Catherine Guéguen, irá modificar-lhe profundamente o seu cérebro emocional e intelectual, com repercussões positivas na aprendizagem e no comportamento em geral. Aliás, várias investigações têm sido levadas a efeito neste domínio e todas elas mostram que uma relação próxima e positiva entre o educando e o educador, proporcionam àquele uma melhor regulação do seu stresse e favorece as aprendizagens.
Mas… como ser uma pessoa empática? Ora, o facto de alguém, enquanto criança, ter recebido empatia, torná-lo-á, segundo Catherine Guéguen, como adulto, mais apto a proporcionar essa empatia aos outros.
Não é isso, porém, que a realidade nos mostra. Ainda há pouco, em artigo anterior, nesta coluna se dizia que na Área Metropolitana do Porto cerca de 75% dos menores de sete anos de idade eram vítimas de agressão psicológica e de castigos corporais.
Mas, diz a pediatra, a empatia também se aprende, quer reflectindo sobre as emoções vividas, quer em relação a si próprio, quer em relação ao outro, esforçando-se por entendê-lo, ouvindo-o. E o outro pode ser o filho, o aluno, o cônjuge, um amigo ou, até, um desconhecido.