Foi com este título que Jocelyn Lachance, socióloga, publicou um livro, em 2018, que trata do tema de grande actualidade que é o das redes sociais e da sua influência na família e, particularmente, nas crianças e adolescentes.
Ela levou a cabo uma investigação em que ouviu crianças e adolescentes e discorreu como os écrans estão hoje omnipresentes nas famílias e como eles afectam as relações entre pais e filhos. Assim, verifica-se, actualmente, uma intrusão do mundo exterior na intimidade da família. Diz a investigadora que as necessidades da família não mudaram, necessitando os pais de ter tranquilidade e os filhos de ganharem a autonomia que os fará adultos. Entretanto, com a conexão digital, a família como que ficou desconectada.
Enquanto que a geração dos pais, cujos filhos andam hoje na escola, foi introduzida no mundo digital através da actividade laboral, as crianças e os adolescentes de hoje foram iniciados neste mesmo mundo pelos próprios pais. Parece, ainda, haver alguma contradição da parte dos pais: se, por um lado, eles sentem tranquilidade na utilização do smartphone pelos filhos, visto haver tecnologias disponíveis que lhes permitem a geolocalização ou os sítios da internet por onde andaram, por outro, sentem um sentimento de insegurança pelas violências existentes no mundo e o transmitem aos seus filhos.
Os filhos não aceitam o controlo dos pais sobre a sua vida online e essa circunstância tem sido responsável por conflitos familiares.
Num outro estudo levado a cabo pela Kaspersky Lab, empresa russa produtora de softwares de segurança para a internet, em 2016, com 16 mil homens e mulheres de 18 países, com idades acima de 16 anos, 21% dos pais admitiram que a relação com seus filhos piorou depois de os verem em situação comprometedora nas redes sociais. Por outro lado, mais de um quinto dos pais admitiu, igualmente, que o relacionamento com os filhos tinha sido afectado pela situação inversa, depois destes os terem vistos em situações constrangedoras online.
Enfim, a família, mercê da digitalização da sociedade, encontra-se a viver num mundo novo. Os relacionamentos que passaram a estabelecer-se se, por um lado, tornaram mais próximas umas das outras pessoas que estavam distantes, reatando, algumas até, antigas amizades; por outro lado, esses novos relacionamentos trouxeram perigos para as famílias e de que só o bom senso das suas figuras principais os pode atenuar.