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Pais em tempos de crises: Existe um bom modelo para educar?

Mário Freire - 25/07/2019 - 10:24

Já o político e filósofo francês Montaigne, no século XVI, dizia que criar e educar uma criança parece ser a coisa mais importante e difícil de toda a ciência humana. Como educar os filhos? Muitos séculos passaram depois de Montaigne e para a pergunta anterior continuamos a não ter, ainda, respostas que nos satisfaçam inteiramente. Muitas gerações já passaram mas as controvérsias sobre qual a melhor maneira de educar permanece. Trabalhos científicos e recomendações de especialistas de várias áreas na matéria não têm faltado mas pais, professores e educadores em geral continuam à procura de uma bússola que os guie. Essa proliferação de informações, por um lado, ilumina o acto educativo, torna-o mais compreensivo mas, por outro lado, os educadores, vendo-se privados das crenças que herdaram, ficam presos a interrogações para as quais encontram múltiplas respostas, por vezes antagónicas. Eis algumas dessas interrogações: como ser obedecido sem ser severo? Como proteger sem descuidar a autonomia? Como conciliar o sentido do dever com o da desobediência cívica? Até onde o limite que se estabelece contraria o desejo legítimo da descoberta?  

Ora, a jornalista Héloise Lhérété enuncia, baseada em teóricos da educação, vários modelos que se confrontam e que podem ser resumidos em 3 metáforas: a do carpinteiro, aquela em que o educador, graças às técnicas e planos de que dispõe, modela o futuro dos seus filhos, tendo em vista o que pensa que seja melhor para eles; a do jardineiro, em que o educador se limita a proporcionar à criança um ambiente propiciador do seu desenvolvimento, estimulando-a no caminho da descoberta, em que ela, caindo e levantando-se, irá descobrindo, progressivamente, o seu rumo; a do balde e do fogo, em que o educador não se limita a encher a criança com muitos conhecimentos, com muitas regras mas, alguém que, com o seu exemplo, com as palavras de estímulo, a leve a fazer algo de melhor, que a inspire a fazer outras coisas.

Qual destes modelos, então, aplicar? Quanto a mim, todos eles têm virtudes mas também inconvenientes quando levados ao limite. O bom senso dos pais, de acordo com a idade dos filhos e as circunstâncias do momento, hão-de ditar as maneiras mais adequadas de tomar as suas decisões educacionais.

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