Estreou em meados do presente ano o filme “17 Raparigas.” O argumento trata de uma adolescente de 16 anos, boa aluna e muito popular entre os colegas. Tendo um relacionamento com um rapaz, ela engravida. Partilha, então, com o seu grupo de amigas esta situação. Ultrapassada a surpresa inicial, e depois de analisarem as vantagens e desvantagens de serem mães tão jovens, elas fazem um pacto: engravidarem todas até ao final do ano lectivo. Decidiram, ainda, que, após o nascimento dos bebés, criá-los-iam em conjunto. Quando, finalmente, as gravidezes se confirmaram, estas 17 raparigas vão deixar em choque não apenas a pequena comunidade onde vivem, mas todo o país. Este filme explora o tema da gravidez adolescente e alguns dos motivos que lhe estão associados e foi inspirado em factos reais. Estas raparigas encontraram, a partir daí, o que até essa altura não tinham tido: serem acarinhadas, terem a atenção dos pais, professores, serviços de saúde e até as amigas passaram a tratá-las de outra forma.
Ora, a adolescência traz dúvidas e conversar sobre a sexualidade com os filhos pode tornar-se um factor de embaraço. Hugo Tavares, pediatra e director de um departamento para a adolescência no Hospital Lusíadas, no Porto, tenta, no entanto, retirar essa carga e afirma que “a sexualidade está presente desde o nascimento”. Nem sempre é com grandes conversas que o tema deve ser abordado, diz ele, mas, antes, “os pais aproveitarem todos os momentos para a descobrir, viver e discutir com os seus filhos, usando linguagem e estratégias adequadas à sua idade.” No mesmo sentido vai o psiquiatra Daniel Sampaio ao afirmar que “é essencial que os pais não façam um sermão em torno da sexualidade” quando começam a tocar no assunto com os filhos. “Falar de sexo implica falar de amor, de respeito pelo corpo, do meu e do do outro, e do convívio entre rapazes e raparigas.”
De igual modo Hugo Tavares, atrás referido, diz que “os afectos deverão estar sempre no centro de todas as conversas sobre sexualidade.” Reduzir a educação sexual à vertente física é “transmitir ao adolescente que os afectos têm um significado e um valor menor do que o biológico”. E isso pode ajudar a “potenciar comportamentos exploratórios vazios de sentido e que se sabe que acabam por ser mais frequentemente associados a risco”, refere ele. O pediatra alerta ainda para a disponibilidade dos pais (“saber ouvir é fundamental! Sem criticar ou julgar”) e para a verdade (“o adolescente não pode nunca sentir-se enganado”).
Enfim, educar para a sexualidade, mais do que a focagem em aspectos físicos e biológicos, é encarar a pessoa na sua globalidade, em que o amor é componente fulcral na sua vida.
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