Como é que uma palavra que era quase desconhecida há 30 ou 40 anos, se tornou tão importante em tão pouco tempo? Ela está na moda ou o sucesso da palavra traduz algo sobre a importância que hoje atribuímos às relações humanas?
À empatia associam-se as qualidades da bondade, da disponibilidade, da gentileza… e aparecendo, cada vez mais, em muitos livros e artigos, ela tem sido estudada segundo vários ângulos, do mundo animal ao humano. Assim, a Etologia, isto é, a ciência que estuda o comportamento social e individual dos animais no seu ambiente natural, mostra que no reino animal não existe só a luta de todos contra todos; pelo contrário, a solidariedade está presente em muitos e muitos dos seus comportamentos.
No ser humano, a empatia desempenha, igualmente, um papel fundamental desde o nascimento e ao longo da vida. A comunicação entre mãe e filho é uma questão crucial não só no desenvolvimento da criança como no comportamento social, enquanto adulto. E quando a mãe não está presente, então as avós, tias, amas… podem desempenhar esse papel. Uma criança em relação à qual não houve empatia, segundo o sociólogo francês Jean-François Dortier, é um potencial delinquente. Por isso, hoje, já existem terapias psicológicas que pretendem restaurar a empatia em delinquentes juvenis e, assim, permitir a sua reintegração.
Embora haja certa ambiguidade no significado da palavra “empatia”, ela poderia ser considerada segundo três perspectivas, de acordo com aquele sociólogo.
A empatia cognitiva seria a capacidade de entender os pensamentos e as intenções dos outros, através de alguns sinais que eles emitem (olhar no vácuo, agitação das mãos…). A perspectiva afectiva traduzir-se-ia em entender, não os pensamentos, mas as emoções dos outros, como a tristeza, a cólera, a alegria... Compreender as emoções dos outros não significa, necessariamente, estar a vivê-las. Finalmente, a empatia “compassiva” traduzir-se-ia no cuidar. Não se trata apenas de reconhecer o sofrimento ou a alegria dos outros, mas supõe uma atitude activa em relação a isso. Quando tenta consolar-se uma criança, um amigo, um ente querido que sofreu uma perda..., mesmo que não se experimente a dor do outro, há que fazer algo, seja por palavras ou por gestos, que produzam no que sofre algum conforto. Há que ter a preocupação de o ajudar.
Se todas as perspectivas de empatia ajudam o relacionamento humano, dentro da família elas contribuem para uma melhoria do seu funcionamento e, fora dela, para uma sociedade mais solidária.
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