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Pais em tempos de crises: O pinguim de Adélia e a parentalidade positiva

Mário Freire - 16/01/2020 - 9:39

O Pinguim de Adélia é uma espécie animal que habita na Antárctida e o nome de Adélia, que lhe está associado, foi-lhe dado pelo seu descobridor em homenagem à sua mulher. Trata-se de animais pequenos que constroem os ninhos nas encostas rochosas, utilizando pedras. Ora, tanto o macho como a fêmea, tomam conta dos seus ovos, revezando-se, mantendo-os quentes e protegidos de possíveis predadores e, mais tarde, os cuidados que têm para com as crias são partilhados por ambos os pais. Além disso, com frequência, macho e fêmea vão trocando entre si pequenas pedras, como que fazendo galanteios um ao outro. 
Pelas características reveladas por estes animais, foi dado o nome de Projecto Adélia a uma intervenção que está em curso e que é promovida pela “Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens”. Este Projecto visa apoiar a “Parentalidade Positiva”. Esta, segundo a definição que lhe foi dada pelo Conselho da Europa, é o “comportamento parental baseado no melhor interesse da criança e que assegura a satisfação das suas principais necessidades, sem violência, proporcionando-lhe o reconhecimento e a orientação necessários, o que implica a fixação de limites ao seu comportamento, para possibilitar o seu pleno desenvolvimento.” 
O termo “criança”, na apresentação do Projecto, tem um significado muito lato, visto referir-se as pessoas dos 0-18 anos.
Neste Projecto fala-se em três modelos educacionais. De uma maneira muito simplificada dir-se-ia que o modelo autoritário é aquele em que os pais tudo comandam. No permissivo, sucede o contrário: os filhos é que determinam o que fazem e o que lhes apetece. O modelo positivo é aquele que proporciona um desenvolvimento mais saudável e harmonioso dos filhos.
Neste último modelo, há que ter em atenção os comportamentos adequados e os comportamentos inadequados dos filhos. Em relação aos primeiros, o elogio é um instrumento educacional que induz a repetição do bem e do bom que fizeram. Quanto aos comportamentos inadequados, há que saber dizer-lhes “não”. E dizer “não” não significa agredi-los fisicamente, humilhá-los, ameaçá-los ou chantageá-los. Este “não” pode ser dito de diferentes maneiras. Se os filhos forem demasiado crianças, simplesmente ignorando as suas birras. Sendo mais crescidos e que comecem a entender o que lhes é pedido ou sendo já adolescentes, há que lhes explicar as razões do “não”. Em quaisquer circunstâncias, o estabelecimento de limites é uma necessidade. Se eles forem ultrapassados, então, de uma maneira serena mas firme, há que retirar privilégios (por exemplo, o uso do telemóvel durante determinado tempo).
Enfim, como se diz no PDF de apresentação do Projecto, “Ser família no século XXI, não é fácil!” A serenidade, o diálogo e o bom senso, certamente que hão-de ajudar a tornar o seu funcionamento com menos problemas.  
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