Esteve há dias em discussão na Assembleia da República o tema das chamadas fakes news, ou seja, das notícias falsas propaladas através das redes sociais.
Ora, no mundo digital em que vivemos, em que todos podemos contactar com todos, esse fluxo de notícias falsas é frequentemente apresentado como um dos mais temíveis inimigos da democracia. As redes sociais são acusadas de transmitir qualquer tipo de conteúdo que pode distorcer as opiniões de cidadãos honestos. Através delas convocam-se manifestações inorgânicas, sem lideranças identificadas, que são susceptíveis de provocar distúrbios (vejam-se os chamados “coletes amarelos” em França).
É certo que o Facebook e o Twitter adoptaram, recentemente, medidas para proibir a difusão das notícias falsas. Tal não impedirá, contudo, de ser veiculada uma fake new como uma verdade indiscutível.
A este propósito, saiu um estudo nos Estados Unidos, divulgado pela revista online Slate, em Outubro do ano passado, em que foram apresentados cinco factos e cinco opiniões a um painel de mais de 5.000 pessoas. Ora, nesta pesquisa concluiu-se que os jovens tinham uma maior capacidade de distinguir entre os factos e as opiniões do que as pessoas mais velhas.
O estudo concluiu, ainda, que as pessoas que não são militantes de partidos políticos e que mais se encontram familiarizadas com as novas tecnologias eram as que maiores facilidades manifestavam para estabelecer a diferença entre os factos e as opiniões. Ora, acontece que os jovens de hoje estão menos próximos dos partidos políticos mas são muito capacitados para o uso das tecnologias digitais. Tal não acontece com as gerações mais velhas.
Poder-se-á, então, perguntar se os filhos, em matéria de fakes news, as notícias falsas, não poderão ser pessoas mais idóneas que os pais? Não serão eles melhores conselheiros dos seus progenitores, antes destes divulgarem nas redes socias uma qualquer notícia, seja ela anunciadora de escândalo, catástrofe, tempestade política ou social?