Foi apresentada na Universidade de Évora uma dissertação de mestrado por Cristina Isabel da Silva Fouto que teve por objectivo analisar a qualidade dos relacionamentos amorosos e a sua relação com algumas características pessoais e relacionais dos intervenientes nesses relacionamentos.
Impossível se torna abordar, numa breve crónica de jornal, os diferentes tópicos desenvolvidos num estudo académico. No entanto, não deixaria de referir uma das quatro interrogações que a autora do estudo formulou e que a guiou na sua investigação e que é: existe alguma correlação entre a qualidade da relação amorosa e o nível de proximidade na relação?
Convinha, então, definir, sem entrar nas múltiplas nuances apresentadas pela autora do estudo, o que é a proximidade, numa relação amorosa. Ela terá a ver com o grau de interdependência (cognitiva, emocional e comportamental) das pessoas envolvidas. E ser interdependente “significa que as vidas das pessoas dentro da relação estão profundamente interligadas de tal modo que cada uma delas influencia os resultados da outra”, confiando-se mutuamente para o preenchimento de importantes necessidades sociais, emocionais e físicas.
Esta proximidade poderá, no entanto, conduzir quer a um sentimento de posse ou de controlo do outro, quer à incorporação de alguns dos traços da personalidade daquele na sua própria identidade. Relativamente à primeira destas consequências, o exercício de uma forma de controlo sobre o outro pode limitar este na sua própria realização pessoal e gerar disrupção na relação amorosa. O controlador, sendo pessoa insegura, teme ser ultrapassado e, então, pergunta com quem esteve, onde esteve, pesquisa mails…, enfim, gera aquilo a que se chama uma relação tóxica.
No que diz respeito à identidade, quando uma pessoa se sente muito próxima de outra, pode dar origem a uma excessiva integração da personalidade do outro na sua própria identidade, deixando de ser quem se é. A relação amorosa, nestas circunstâncias, também pode sair ferida.
Como conclusão, a autora do estudo diz que “num relacionamento próximo, cada um inclui, até certo ponto, os recursos, as perspectivas e as identidades do outro, sendo que, geralmente, a proximidade e esta inclusão seria visto como algo de bom”. Ela alerta, no entanto, para a proximidade e inclusão em demasia, pondo em perigo a liberdade e a identidade da pessoa e, consequentemente, a qualidade da relação amorosa.
Nota do Reconquista: Na versão deste artigo publicada na edição em papel o título saiu apenas “Proximidade e relação”,quando deveria ser “Proximidade e relação amorosa”. Do facto pedimos desculpa e retificamos.