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Pais em tempos de crises: O viver só e a solidão

Mário Freire - 29/06/2017 - 9:25

De entre a pluralidade de formas que as famílias hoje apresentam, as unipessoais assumem um destaque assinalável. Elas são constituídas por uma só pessoa. Esta expressão, famílias unipessoais, parece até contraditória, uma vez que associamos à palavra “família” um grupo de pessoas que, pelo menos, têm entre si um vínculo afectivo. 
Ora, foram identificadas, no censo de 2011, 867.000 famílias unipessoais, significando isso que, em cada 100 famílias portuguesas, 21 são constituídas por uma só pessoa.
O Jornal “Público”, numa reportagem saída em Novembro de 2012, indicava alguns motivos para esta maneira de viver. Acontece que, para muitos, o viver só, é uma escolha. Sentem-se mais livres. Gostam de ter um espaço apenas para si. Porém, para muitos outros, as circunstâncias da vida empurraram-nos para tal situação. Assim aconteceu com os idosos que enviuvaram; os adultos que, por opção ou não, permaneceram sós; os que, tendo já vivido em casal, se separaram, enfim, uma multiplicidade de situações pode justificar este estilo de viver. Isto, porém, não significa que viver só, queira dizer solidão, tal como o viver acompanhado não exclui tal sentimento. Voltando às estatísticas, em 2011, cerca de 407.000 pessoas com mais de 65 anos viviam sós.  
Será que a solidão está associada à velhice? As investigações feitas demonstram que não há uma relação directa entre solidão e pessoas idosas. Há, antes, factores pessoais e sociais que contribuem para a solidão. Verifica-se, porém, uma maior vulnerabilidade dos idosos sentirem a solidão. Afinal, o que é a solidão? É um sentimento em que a pessoa experimenta uma profunda sensação de vazio, de isolamento, de abandono, de rejeição, de insegurança, sem esperança no futuro. 
No combate à solidão dos idosos que vivem sós os encontros que eles têm com os familiares, vizinhos, amigos e outros que dessa situação tenham conhecimento é muito importante. A solidão nos idosos institucionalizados também é frequente, principalmente se eles se encontram abandonados pela família. As actividades oferecidas pela instituição constituem um factor que contraria a solidão mas o contacto com aqueles que lhes são mais próximos, familiares e amigos, continua, ainda, a ser a melhor terapêutica para combater tal sentimento destrutivo.
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