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Pais em tempos de crises: Que Natal para elas?

Mário Freire - 22/12/2016 - 11:24

O Natal, se celebra o nascimento de Jesus Cristo, ele é, também, por tradição, a festa da família. Ao aproximar-se esta época, pelo menos nos anos de escolaridade mais baixa, em algumas disciplinas propõem-se às crianças temas em torno do Natal e em que a família se assume como elemento fundamental a explorar. Fazem-se desenhos, composições, trabalhos em materiais variados para simbolizar o Presépio, etc. 
A família, nesta altura do ano, ganha mais força pois nela se continua a ver, apesar das dificuldades por que muitas estão passando, o grande suporte para o embate das dificuldades da vida.  
Naquelas famílias tradicionais, era este o tempo mais propício para a criança conviver com os primos, os tios, os avós... Entretanto, novas famílias apareceram em que a criança tem que privar com outras, por vezes, quase estranhas, na mesma casa, que são filhos de uma companheira ou companheiro com o/a qual o seu progenitor vive.  
A criança, seja nas famílias tradicionais, seja nas outras, de um modo geral, tem sempre lugar privilegiado, principalmente no Natal. Mas há crianças que, durante todo o ano, não têm um pai, uma mãe, uma avó junto dos quais possam receber um pequeno gesto de acolhimento. E, nesta época natalícia, essa realidade torna-se ainda mais difícil para elas! Senti, de perto, quanto esse sofrimento e, até, raiva, pode atingir uma criança de 10 anos, institucionalizada, e que se viu impedida de estar com a mãe nesta quadra do ano. “Porquê”, dizia ela, “não posso estar com a minha mãe, numa altura em que os outros meninos estão com as suas?” 
É certo que se tenta que estes casos sejam cada vez em menor número. Mas a realidade crua obriga a que muitas crianças não tenham para onde ir ou que suas famílias não reúnam condições mínimas para as acolher. O sofrimento delas e os sentimentos que daí resultam para com esta sociedade que as priva daquilo que é essencial nessa fase da vida – o aconchego de uma família – ajudam a construir-lhes uma ideia de justiça que não funciona a seu favor. 
Mas o Natal é sempre um tempo de esperança. Esperança para acolher a proposta libertadora que Jesus nos veio trazer para um mundo melhor.
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