Este site utiliza cookies. Ao continuar a navegar no nosso website está a consentir a utilização de cookies. Saiba mais

Pais em Tempos de Crises: Pais e filhos e a comunicação de hoje

Mário Freire - 02/02/2017 - 10:34

Entrei num restaurante para almoçar e observei uma cena que, nos dias de hoje, vai sendo já habitual: enquanto esperavam pelo prato pedido, um casal na classe dos 30-40 anos e dois filhos, um pelos 6-7 anos e o outro pelos 11-12 anos, todos os quatro, com a máxima atenção, utilizavam o respectivo telemóvel, sem qualquer conversação entre eles. De igual modo, em salas de espera, quem viaje em transportes públicos, em trajectos não muito curtos, pode ver jovens e adultos jovens agarrados aos respectivos smartphones, ouvindo música através dos seus auscultadores, lendo jornais através dos pequenos écrans, interagindo com outros através das redes sociais ou, simplesmente, falando com um interlocutor, por vezes com a sua imagem na frente.
Repare-se, no entanto, que este fenómeno é já de natureza planetária. Alguém, que muito viaja pelo mundo, me dizia que situações deste tipo não se circunscrevem à Europa; ele tem-nas visto nos Estados-Unidos, na China, na Austrália, nos Países Árabes. Estamos, de facto, a viver o limiar de um novo modelo de comunicação que ultrapassa a simples relação entre as pessoas as quais, estando sós, estão em contacto com muitos; este modelo comunicacional, independentemente da distância que as separa, permite que elas tomem conhecimento, por vezes em tempo real, com o que se passa em qualquer parte do mundo.
Este fenómeno global da comunicação não se circunscreve apenas quer ao modo de relacionamento entre as pessoas, quer como elas acedem ao conhecimento do que está a passar-se à sua volta. Ele está a invadir todos os campos da ciência, da tecnologia, do lazer e tudo isto serve para condicionar os nossos modos de trabalhar, de agir, de pensar e, até, de ser.
Por tudo isto, é sempre de louvar a introdução de programas que utilizem estas novas tecnologias nas chamadas universidades da terceira idade. Eles possibilitam aos mais velhos que não se excluam da sociedade em que vivemos, além de serem um facilitador do diálogo com os mais novos, especialmente com os seus familiares. 
Mas… e os pais? Aqueles que, na primeira linha, lidam com os filhos, crianças e adolescentes? Estão eles suficientemente apetrechados para este novo tipo de relação, chamando-lhes a atenção para o mundo novo que se lhes abre, para as potencialidades que lhes são oferecidas mas, também, para os perigos que, por detrás de cada click, se lhes apresentam? Ora, diálogo implica conhecimento da matéria sobre aquilo que se dialoga. E, neste campo, se aos filhos cabe, regra geral, a primazia do saber, não devem excluir-se os pais do acompanhamento daqueles, no que ao mundo digital se refere. Por vezes, basta apenas a presença física dos pais para que esse acompanhamento se faça sentir. Igualmente os pais, se for caso disso, podem, também, assumir a sua ignorância neste sector e solicitarem informações. Tal atitude é susceptível de reforçar os laços de confiança mútua entre pais e filhos e proporcionar, até, condições para que aqueles possam agir com mais sabedoria noutros campos do mundo educacional. 
[email protected]

 

COMENTÁRIOS