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Pais em tempos de crises: O disco externo e o ténis

Mário Freire - 06/04/2017 - 10:47

Parece não haver qualquer ligação entre os elementos que figuram em título desta crónica. Passo, então, a explicar. Estava a organizar alguns dos meus trabalhos escritos, de natureza profissional e outros, aqueles que considerava de maior importância, agrupando-os por grandes temas. Tinha um disco externo ligado ao computador, tentando transferir a informação deste para aquele. Eis que, por artes que não consigo explicar, o disco externo começa a não responder. Tentei de vários modos mas o resultado era o mesmo: ele não respondia. Comecei a pensar que muita da informação que tinha estado a deslocar para o disco se tivesse perdido, tanto mais que, por inadvertência minha, alguma dela já tinha sido previamente apagada no computador. Enervei-me de tal modo que resolvi fechar o portátil. 
Começo a ver televisão. Estava a ser exibida uma reportagem de um torneio de ténis para pessoas deficientes físicas. Eram maioritariamente jovens que, em cadeiras de rodas, disputavam com empenho, jogos daquela modalidade. Vi entrevistas de alguns deles que, com entusiasmo, diziam das suas aspirações e quanto aquela modalidade desportiva tinha contribuído para que eles se sentissem pessoas realizadas. No final da reportagem aparece alguém, possivelmente um dirigente do torneio que, virando-se para as câmaras, diz: “vocês aí, que estão em casa, também de cadeiras de rodas, convençam-se de que são capazes de fazer tudo o que os outros fazem…mas de maneira diferente”. 
A reportagem terminou e eu, depois, perguntei a mim próprio qual o valor do meu aborrecimento informático, perante aquele entusiasmo evidenciado por aqueles jovens. Eles, que têm uma vida pela frente, mas presos a uma cadeira de rodas, conseguem libertar-se das suas limitações para alcançarem os seus objectivos! 
Não sei se a melhor estratégia para os pais, perante dificuldades que fazem sofrer os filhos, é dizer-lhes que existem coisas piores. Julgo que o que a criança ou adolescente necessita, nessas ocasiões, é de que não se minimize o seu sofrimento, é de que sinta a compreensão daqueles que estão perto. Mas, igualmente, que se lhe faça chegar o incentivo para prosseguir, dando-lhe exemplos de coragem, como o daqueles atletas que não se intimidam perante a adversidade. 
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